A Justiça paulista aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo e transformou em ré a policial militar acusada de tirar a vida de uma mulher durante uma ação na Zona Leste da capital.
Entenda o caso e a investigação
O episódio ocorreu na madrugada do dia 3 de abril, quando Thawanna Salmázio, de 31 anos, caminhava acompanhada de seu companheiro. Na ocasião, uma viatura da Polícia Militar passou pelo local e o retrovisor do veículo acabou atingindo o braço do homem, desencadeando um desentendimento. A acusação aponta que a agente efetuou um disparo de calibre .40 contra o abdômen da vítima, que não oferecia perigo.
A promotoria destaca que a mulher permaneceu ferida no chão por mais de 30 minutos aguardando atendimento médico, o que agravou seu quadro clínico e resultou em hemorragia interna aguda, segundo atestado do Instituto Médico Legal. A defesa da família e especialistas em segurança pública apontam uma sucessão de falhas e abusos durante e após a abordagem.
Contradições entre agentes e imagens
As investigações conduzidas pela Corregedoria da PM e pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa revelaram divergências profundas entre os depoimentos dos policiais e os registros das câmeras corporais. Enquanto os agentes alegaram legítima defesa e afirmaram que a vítima iniciou as agressões, as gravações mostram uma dinâmica diferente, na qual a mulher tentou argumentar antes de ser baleada. A soldado responsável pelos disparos estava sem a câmera individual no momento da ocorrência.
“É certo que o delito foi perpetrado por motivação fútil, consistente em discussão banal, decorrente do fato de que a vítima e seu companheiro não se conformaram com a agressividade como foram tratados. De igual forma, o crime foi cometido por meio cruel, uma vez que a vítima agonizou por mais de 30 minutos até ser efetivamente resgatada, sem que a denunciada tenha adotado qualquer providência para mitigar seu ato”, afirmam os promotores na denúncia.
Pedidos da promotoria e impactos
Diante da gravidade dos fatos, os promotores responsáveis pelo caso solicitaram a fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão para indenizar os familiares de Thawanna, que era mãe de cinco filhos. Os policiais envolvidos foram afastados das funções operacionais enquanto o processo segue em tramitação na Justiça Militar e Comum.
“Policial despreparada, porque se a policial tivesse preparo, ela teria imobilizado a minha irmã, tinha contido, tinha algemado, tinha levado presa, entendeu? Mas a policial preferiu dar um passo para trás e matar a minha irmã. A minha irmã não oferecia perigo nenhum. A única coisa que a minha irmã fez foi enfiar o dedo na cara da policial e dizer que ela estava errada. Só isso. O dedo de uma pessoa é uma arma? Ela ia matar a policial apontando o dedo? Eu acho que não”, afirmou Daiana Martins, irmã de Thawanna.
A Secretaria da Segurança Pública informou que todas as circunstâncias do caso continuam sob rigorosa investigação prioritária, integrando laudos periciais, depoimentos e as imagens capturadas durante a patrulha.






