Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) disputam o segundo turno das eleições para o governo do Distrito Federal com propostas voltadas para o enfrentamento de eventos climáticos extremos, como alagamentos e queimadas, que ameaçam dezenas de localidades na capital do país.
Riscos urbanos e desafios estruturais
De acordo com dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP), dezenas de regiões no Distrito Federal apresentam vulnerabilidade a enxurradas, erosão e inundações. Para especialistas, a preparação urbana exige mudanças profundas na infraestrutura das cidades para lidar com o avanço das crises ambientais.
O professor e pesquisador José Marengo aponta que a preparação passa pela previsibilidade dos eventos pelo fortalecimento dos alertas meteorológicos – mas é preciso mais que isso. “Não dá para reconstruir ou destruir uma cidade e construir de novo, mas dá para colocar espaços verdes, por exemplo, utilizar material que permita permeabilizar a água”, enumera o especialista do Cemaden.
Crise hídrica e ocupação do solo
O planejamento histórico de Brasília também impõe limites severos à gestão de recursos naturais, segundo avaliações acadêmicas sobre o crescimento da metrópole. O professor Frederico Flósculo, da UnB, destaca que a dependência externa de mananciais coloca a região em vulnerabilidade constante diante de desequilíbrios ecológicos em estados vizinhos.
“O destino de Brasília é depender cada vez mais de Goiás [em termos de abastecimento de água]. Isso faz com que qualquer desequilíbrio ambiental em Goiás, no futuro, vá nos atingir de forma dramática”, alerta o docente.
Além disso, a expansão imobiliária sem controle sobre bacias fundamentais agrava a contaminação dos rios e destrói barreiras naturais de filtragem. “A expansão urbana sobre as bacias compromete os padrões de drenagem natural milenares, porque vai alterar totalmente o padrão de absorção e vai levar ao rio uma água contaminada pelo asfalto, pelos carros, pelos usos urbanos. Então, nós tínhamos que ter, para proteção das bacias, áreas de filtragem, preservação, áreas com muitos bosques, e muita vegetação. E é exatamente o oposto disso que está acontecendo”, declara Flósculo.
Propostas para segurança hídrica e combate a incêndios
Para mitigar os impactos da seca severa e das ondas de calor no Cerrado, os candidatos estruturaram diretrizes distintas em seus programas oficiais registrados no Tribunal Superior Eleitoral.
Leandro Grass defende um planejamento de longo prazo para garantir o abastecimento de água, com incentivos financeiros a produtores rurais e expansão de cisternas. Celina Leão aposta na ampliação de investimentos diretos na infraestrutura de captação e distribuição, priorizando comunidades rurais e programas sociais de acesso à água.
Ambos os concorrentes mencionam a necessidade de recuperar nascentes, expandir a arborização urbana e implementar estruturas como jardins de chuva para melhorar a drenagem urbana nas regiões administrativas.






