As zonas Sul e Leste de Manaus continuam registrando os maiores índices de poluição atmosférica, após dez dias consecutivos sob forte densidade de fumaça gerada por queimadas. De acordo com mapeamento apresentado pela meteorologista Andrea Ramos, a capital amazonense enfrenta um cenário crítico, com o ar classificado em patamares perigosos que afetam diretamente a rotina dos moradores e paralisam temporariamente serviços essenciais na região.
Impacto na visibilidade e monitoramento do ar
O agravamento da poluição reduziu drasticamente a visibilidade na região no sábado (17), chegando a suspender temporariamente operações aéreas voltadas ao combate de incêndios florestais, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com retomada posterior após melhora visual. Registros do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), vinculado à Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram índices de qualidade do ar considerados péssimos pela manhã, com pico de concentração de partículas alcançando 457,7 µg/m³ no bairro Coroado. Imagens de satélite baseadas em parâmetros norte-americanos também destacaram municípios como Borba e Humaitá sob faixa vermelha de perigo.
“Então você vê que Manaus está com um índice de perigoso. A pior situação em Santarém, na parte oeste do Pará”, disse a meteorologista Andrea Ramos.
Previsão meteorológica e dispersão de poluentes
A expectativa de precipitações para o domingo (18) e a segunda-feira (19) traz um cenário de cautela, já que a chuva atua na remoção parcial de material particulado, mas não assegura a normalização imediata da atmosfera. A especialista pontuou que o fenômeno chuvoso ameniza o quadro, mas regiões como Tefé continuam com classificação insatisfatória mesmo após a ocorrência de chuvas. Além da influência de focos externos de queimadas, incidentes locais como um incêndio registrado por moradores no lixão de Manacapuru contribuíram para o agravamento da névoa tóxica na Região Metropolitana.
“Como está tendo chuva – tanto é que está tendo melhoria na parte verde quando a gente olha – Tefé ainda continua, mesmo com esse sistema de chuvas, ela faz uma remoção, mas ainda assim fica essa condição de uma qualidade ruim”, declarou.
Orientações de proteção e relatos da população
Diante do risco severo para a saúde pública declarado pela Defesa Civil do Estado, autoridades municipais e estaduais reforçaram medidas de prevenção, aconselhando o uso de máscaras, a ingestão de líquidos, o fechamento de residências e a suspensão de exercícios físicos externos. Moradores utilizaram as redes sociais para relatar incômodos severos, como ardor ocular dentro de ambientes fechados, forte odor e dificuldades respiratórias, classificando o episódio como um dos mais graves já enfrentados pela cidade.
“Mais um dia acordando com o fedor insuportável de fumaça. a qualidade do ar em manaus continua péssima e, mais uma vez, volto a dizer que sinto que estão tentando nos matar sufocados”, escreveu um usuário na rede social X.
“Hoje de longe o pior dia pra se estar em Manaus, a fumaça é tão forte, fedorenta e densa que até a visibilidade tá afetada”, relatou outro morador.
“O pior limiar de todos os episódios de fumaça na cidade”, publicou outra pessoa.
“Arrisco dizer que hoje é o pior dia de Manaus no quesito poluição, os olhos ardem dentro de casa. E o pior: os governantes não estão levando o assunto tão a sério como deveria ser”, escreveu um usuário.
Em situações de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. Denúncias relativas a novas queimadas, consideradas crime ambiental, podem ser encaminhadas pelo número 153 ou através do portal eletrônico oficial da prefeitura.






