As fortes enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 provocaram uma reviravolta radical nos planos dos empresários César Mincato e Thiago Fiamengui, obrigando-os a abandonar o modelo tradicional de atendimento ao público para focar em um novo mercado de bebidas industrializadas.
A virada de chave para o novo modelo de negócio Com suas duas cafeterias totalmente paralisadas durante a tragédia climática, os proprietários optaram por antecipar o lançamento de uma linha própria de café gelado enlatado, que até então funcionava apenas como um teste interno para o estabelecimento físico.
“Foi quando a gente tirou a ideia que era um projeto interno da cafeteria das bebidas em lata e acabou transformando todo o negócio para essa nova lógica”, afirma Thiago Fiamengui.
Expansão internacional e o desafio no mercado nacional A transição exigiu a saída definitiva do setor de serviços e uma pesquisa aprofundada de tendências de consumo em praças estrangeiras consolidadas, como Estados Unidos, Oriente Médio e países asiáticos, onde a categoria de café gelado apresenta forte expansão anual.
“É uma aposta ousada. Dá trabalho e tem passos para frente, para o lado e para trás. Mas é preciso ter confiança naquilo que está fazendo”, diz César Mincato.
Origem dos grãos e o processo de extração a frio A matéria-prima utilizada na fabricação é cultivada em Cachoeira de Minas, cidade situada na Serra da Mantiqueira (MG), sendo escolhida em parceria direta com o produtor rural para alcançar o padrão de sabor exigido pela marca.
O método de preparo difere do formato convencional por utilizar uma infusão a frio com duração aproximada de 14 horas, resultando em uma bebida com menor acidez, dulçores acentuados e concentração elevada de cafeína.
Investimento inicial e projeção de crescimento financeiro Para viabilizar a estrutura produtiva, os sócios injetaram R$ 500 mil no projeto. Atualmente, a capacidade fabril opera em lotes que variam de 3 mil a 4 mil litros, gerando até 15 mil latas por ciclo.
Iniciada em 2025, a marca já marca presença em cerca de 100 pontos comerciais espalhados pela Região Sul. O faturamento inicial registrou R$ 220 mil, com meta estipulada em R$ 900 mil para o ano de 2026.
Com sabores tradicionais e variações como limão-siciliano, o produto busca desbravar um segmento ainda incipiente no país. “O desafiador é criar o desejo, construir comunidade e se tornar relevante para o consumidor”, afirma César Mincato.
Apesar dos riscos e da necessidade de educar o público consumidor brasileiro, os criadores mantêm o foco na trajetória do empreendimento. “Empreender é uma aventura. A gente não tem tanto foco em onde pode chegar, mas na caminhada até lá”, diz Thiago Fiamengui.






