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Fim da reeleição: veja detalhes da proposta de Flávio Bolsonaro

Entenda a proposta de Flávio Bolsonaro para acabar com a reeleição

A extinção da possibilidade de um segundo mandato consecutivo para o chefe do Poder Executivo federal se consolidou como uma das principais bandeiras do plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”, defendido pelo candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Disputando o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro, o senador estabeleceu a mudança constitucional como meta prioritária.

Diferente de transições graduais frequentemente sugeridas em reformas políticas, a intenção do parlamentar é aplicar o novo modelo a partir do próprio mandato, caso seja eleito.

Aplicação imediata e restrição a familiares

A vigência instantânea da regra é tratada pela campanha como um ponto inegociável. Durante declarações recentes, o candidato frisou a necessidade de antecipar a vigência: “Não tem que valer só para o futuro. Para mim, tem que valer já no meu mandato. Se 4 ou 5 anos, se também vai valer para governador e prefeito, isso o processo legislativo é que vai definir”, declarou em 8 de outubro.

Em entrevista concedida ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 16 de outubro de 2026, Flávio garantiu que sua decisão independe até mesmo da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no parlamento: “Eu só preciso de um mandato”, afirmou.

O projeto também afasta a possibilidade de perpetuação familiar no poder central. Segundo o próprio senador, a barreira se estende ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos seus irmãos, que ficariam inelegíveis para o pleito sucessório de 2030, já que não haverá alterações nas restrições de parentesco previstas na Constituição. O postulante justificou a medida afirmando que busca atuar sem as pressões de um novo calendário de votação, interpretando o gesto como uma demonstração de “desapego ao poder”.

O teor da PEC e o impacto regional

Protocolada originalmente no Senado em 2 de março, a proposição elaborada pelo senador mantém a duração de quatro anos para a Presidência, abrindo espaço para que o Congresso Nacional debata uma extensão para cinco anos durante as discussões legislativas. O texto argumenta que o mecanismo adotado no país desde 1997 enfraquece a alternância no comando do Executivo e estimula o uso do aparato estatal em favor de projetos eleitorais.

No plano de governo, a justificativa sustenta que “sem a necessidade de disputar um novo mandato, o presidente poderá concentrar sua energia em governar, enfrentar problemas estruturais, realizar reformas e executar políticas de longo prazo, em vez de submeter decisões públicas ao calendário e às conveniências da próxima campanha”.

Com o intuito de preservar apoios políticos nos estados, a versão protocolada não retirou o direito à reeleição de governadores e prefeitos. Contudo, aliados discutem a viabilidade de unificar os calendários eleitorais e ampliar as limitações às esferas estadual e municipal.

Apoio no Congresso Nacional

A viabilidade da reforma depende do desfecho eleitoral em 25 de outubro e do alinhamento com os futuros presidentes da Câmara e do Senado. O documento protocolado contou com a assinatura de trinta parlamentares de diferentes legendas:

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Wellington Fagundes (PL-MT)
  • Styvenson Valentim (Podemos-RN)
  • Wilder Morais (PL-GO)
  • Jaime Bagattoli (PL-RO)
  • Carlos Portinho (PL-RJ)
  • Margareth Buzetti (PP-MT)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Ciro Nogueira (PP-PI)
  • Marcos Rogério (PL-RO)
  • Marcio Bittar (PL-AC)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Jorge Seif (PL-SC)
  • Plínio Valério (PSDB-AM)
  • Eduardo Gomes (PL-TO)
  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Dr. Hiran (PP-RR)
  • Oriovisto Guimarães (PSDB-PR)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Bruno Bonetti (PL-RJ)
  • Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
  • Sergio Moro (PL-PR)
  • Zequinha Marinho (Podemos-PA)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Ivete da Silveira (MDB-SC)
  • Marcos do Val (Avante-ES)
  • Mara Gabrilli (PSD-SP)

O cenário das propostas e o modelo internacional

O debate sobre mandatos no Brasil não é inédito: tramitam no parlamento dezenas de iniciativas congêneres registradas desde 1999, abordando durações que variam entre cinco e seis anos de mandato único.

Atualmente, o Senado tem em pauta uma proposta elaborada em 2022 pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2025. O texto de Kajuru estipula mandato de cinco anos para Executivo e Legislativo, diminui o período dos senadores de oito para cinco anos e determina um regime de transição.

Caso promova a vedação da reeleição, o Brasil passará a figurar ao lado de vizinhos sul-americanos como Peru, Uruguai e Paraguai, onde o chefe de Estado cumpre mandato de cinco anos sem direito à recondução imediata. Já no modelo europeu, nações como Alemanha, França e Portugal autorizam a continuidade no cargo, mantendo períodos fixados em cinco anos.

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