Aos 44 anos, Kassandra Bacon deu à luz seu primeiro filho, chamado Landon, em setembro de 2026. O nascimento marca um feito histórico na medicina reprodutiva, pois o bebê foi gerado a partir de tecido ovariano que permaneceu congelado por mais de duas décadas.
O diagnóstico de câncer na adolescência A jornada começou quando Bacon foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um tipo raro de câncer no sistema linfático, aos 17 anos. Inicialmente tratada com quimioterapia, ela enfrentou uma recidiva grave um ano depois, necessitando de intervenções médicas imediatas e agressivas.
“Não é algo que você quer viver quando está tendo aulas de direção e em plena época de provas finais do ensino médio. Foi difícil”, disse ela ao Newshour, programa do Serviço Mundial da BBC.
Como não havia tempo hábil para o tradicional congelamento de óvulos, que demanda semanas de estimulação hormonal, a adolescente optou por um método experimental na época: a retirada e o armazenamento de fragmentos de tecido dos ovários.
A cirurgia foi realizada por Sara Matthews, uma das poucas especialistas capacitadas no Reino Unido. Anos mais tarde, após vencer a doença, Bacon entrou na menopausa precoce aos 33 anos devido à agressividade dos tratamentos oncológicos.
Desafios e o reimplante em Israel Com o desejo de ser mãe, Bacon iniciou uma busca de dez anos para viabilizar o reimplante. Como o procedimento ainda não era regulamentado no Reino Unido na época da retirada, ela precisou de ajuda para encontrar uma clínica no Centro Médico Sheba, em Israel.
O plano, contudo, enfrentou obstáculos geopolíticos quando conflitos armados na região adiaram a cirurgia. Em entrevista ao Serviço Mundial da BBC, Bacon contou que pensou: “Será que minha única esperança vai ser destruída?”
O procedimento só ocorreu em maio de 2024, viabilizado por um cessar-fogo temporário. “Parece coisa de novela”, afirmou ela.
O nascimento de Landon e o avanço da medicina Após o enxerto, o ciclo reprodutivo foi retomado e o casal recorreu à fertilização in vitro, resultando em um teste positivo no Natal de 2025.
“Meu corpo, que era muito fértil aos 19 anos, me devolveu a vida aos 43”, diz ela.
Especialistas destacam que a preservação da fertilidade tem ganhado espaço no tratamento oncopediátrico moderno.
“Queremos que essas crianças cheguem à vida adulta e tenham uma vida adulta normal. E uma parte importante disso é a possibilidade de formar uma família”, pontua a médica Sara Matthews.
Ao refletir sobre sua trajetória, Bacon reconhece a importância de sua determinação na juventude.
“Até hoje, tento me colocar no lugar de quem eu era aos 18 anos e pensar: ‘Como consegui ser tão persistente? Como consegui ter tanta determinação?’. Acho que essa é uma daquelas coisas que preciso olhar para trás e agradecer a mim mesma.”






