Aline Tavares e Luis Paulo decidiram abandonar a rotina tradicional no interior do Rio de Janeiro para transformar uma casa sobre rodas no único endereço fixo. No último final de semana, a dupla chegou ao estado do Acre com o propósito de explorar aspectos culturais que consideram distantes dos roteiros turísticos convencionais.
Vivência e culinária típica na capital acreana Em Rio Branco, a dupla tem o objetivo de interagir diretamente com os moradores locais, saborear pratos típicos e apreciar as paisagens da região. Embora planejem seguir rumo ao Peru posteriormente, os viajantes já aprenderam que a flexibilidade é essencial na estrada.
“Resolvemos ficar aqui por alguns dias para sentir a cultura do Acre. Um dos destaques daqui é uma cultura diferente de outras regiões do Brasil. A comida é mais forte, todo mundo é receptivo. A gente chegou aqui já se sentindo em casa, fomos muito bem recebidos. Então, nosso objetivo é viver um pouquinho, ter essa vivência da região, sabe?”, contou Aline Tavares.
A passagem pela capital já rendeu situações curiosas, como o forte calor sentido logo nas primeiras horas de um domingo, quando a temperatura matinal surpreendeu os visitantes.
“Foi a primeira vez que a gente viu 42 graus, 7H da manhã. […] A volta parecia que já era insolação”, brincou Aline.
Durante a passagem pelo tradicional Mercado do Bosque, eles aproveitaram para experimentar pratos como o quibe de arroz, o quibe de macaxeira, o mingau de banana comprida e o mingau de farinha de tapioca.
Da estabilidade para a vida na estrada O estilo de vida atual começou a se desenhar após um encontro de motorhomes no estado de São Paulo. Para viabilizar a mudança em cerca de três meses, Aline pediu exoneração de seu cargo público, enquanto Luis Paulo vendeu o restaurante que administrava.
“Quando a gente comentou que ia vender, apareceu muita gente. A gente conseguiu vender em dois dias, assim. E aí foi até um susto, porque eu queria vender, mas você fica com medo, né? Quando vendeu, sabe quando você quer, mas logo chega alguém e fala: ‘Não sei se eu quero’. Aí ficamos com medo, mas conseguimos vender”, lembrou Luis Paulo.
Iniciada oficialmente em dezembro de 2023, a jornada também virou fonte de sustento por meio da produção de conteúdo para as redes sociais, onde registram os desafios e as belezas dos locais que visitam.
“Eu acho que a gente é muito acostumado a trabalhar a vida inteira, CLT, para se aposentar e aí fazer o que ama, né? E às vezes não dá tempo. A gente conheceu vários exemplos de pessoas que não deram tempo, amigos próximos nossos. Então a gente resolveu fazer, dar tempo antes de ficar velhinho”, explicou Aline.
Rotina em espaço compacto e segurança na rua O trailer adaptado conta com cozinha compacta, fogão de duas bocas, geladeira e uma pequena mesa para refeições. Optar por um veículo menor facilita a locomoção urbana, o abastecimento e a busca por locais para estacionar.
Como costumam dormir em vias públicas em vez de campings, a segurança e a gestão de imprevistos exigem atenção constante do casal.
“Eu brinco que a gente é morador de rua. A gente tá há três anos dormindo na rua, literalmente. […] Então a gente fica sempre com esse medo de ser seguro”, relatou Luis Paulo.
A convivência diária em um ambiente reduzido exige diálogo e divisão clara de tarefas, com Aline atuando na cozinha e Luis Paulo na limpeza, além do revezamento na direção.
“Se você não tiver uma troca, uma comunicação e uma troca de atividades, sempre vai dar briga”, resumiu Luis Paulo sobre a convivência.
Conselhos para novos viajantes Embora inspirem outras pessoas, os viajantes evitam ditar regras sobre abandonar empregos tradicionais, reconhecendo o peso de suas próprias escolhas.
“Eu brinco que a gente foi o louco que deu certo. […] A gente fica com muito medo de dar dicas, porque eu vou falar: ‘Larga seu emprego, vai viajar’. E aí? É muito complicado isso”, ponderou Luis Paulo.
Apesar dos receios que ainda surgem, a mensagem principal deixada pela dupla é a de que a preparação excessiva não deve ser um entrave para a realização de sonhos.
“Minha dica é ir com o que você tem, ir com medo mesmo. Acredita que vai dar certo. […] Às vezes a gente acha que precisa se organizar e ter um motorhome de um milhão, de ter isso, de ter aquilo. […] É na estrada que você vai ver se precisa de mais, se precisa de menos. Na maioria das vezes, você precisa de menos”, concluiu Aline.






