Representantes de redes de rádio e televisão, produtoras e operadoras de TV paga estão reunidos em Santo Domingo para debater os rumos da indústria audiovisual nas Américas.
Oitenta anos de história e desafios tecnológicos
O evento marca as celebrações de 80 anos da Associação Internacional de Radiodifusão, entidade que engloba 17 mil emissoras comerciais nas Américas do Norte, Central e do Sul. A presidência da organização é exercida, desde 2023, por Paulo Tonet Camargo, que também atua como vice-presidente institucional da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e do Grupo Globo.
Entre os principais tópicos da agenda estão o avanço da TV conectada, a relevância da TV aberta frente ao consumo em smartphones, novas métricas para ambientes multiplataforma, a defesa de direitos autorais e o impacto da inteligência artificial.
Pilares para o futuro do setor
Segundo Tonet, o encontro “mostra a disposição da indústria de olhar para o futuro, e olhar para o futuro com uma nova concepção”.
O dirigente detalha os fundamentos que sustentam a atuação da entidade nos próximos anos:
“A AIR assenta o seu futuro em três bases: liberdade, porque a liberdade de expressão é a nossa base de existência; responsabilidade, porque temos responsabilidade sobre os conteúdos de informação e entretenimento que distribuímos; e sustentabilidade, porque a indústria, para poder fornecer tudo isso às sociedades onde trabalamos, precisa ser sustentável.”
Para ele, a cooperação internacional é indispensável para enfrentar os novos tempos:
“Reunir as três Américas para discutir os grandes temas da indústria audiovisual é realmente importante, porque a adoção de modelos tecnológicos de métricas de audiência, de proeminência e de combate à pirataria é algo que precisamos fazer de maneira continental. Nenhum país, nenhuma empresa, consegue fazer isso isoladamente”, diz.
O papel estratégico do Brasil
Flávio Lara Resende, vice-presidente jurídico da AIR e vice-presidente institucional da ABERT, ressalta a relevância do país no cenário continental:
“É extremamente importante porque o Brasil lidera nas três Américas a produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento, seja no rádio, seja na televisão. Então, você reunir aqui radiodifusores de diversos países é extremamente importante para que a gente possa ter uma definição do que será o futuro da radiofusão nas três Américas, principalmente na televisão aberta.”
Fundada em 1946, a associação mantém trajetória em prol da liberdade de expressão e da radiodifusão privada e independente, acompanhando as mutações sociais e tecnológicas ao longo de oito décadas.
Em nota oficial comemorativa ao octogésimo aniversário, a instituição pontuou:
“A acelerada transformação tecnológica, as novas formas de produção e distribuição de conteúdos, o desenvolvimento da IA, a concorrência das grandes plataformas digitais, a pirataria e os desafios para a sustentabilidade dos meios de comunicação configuram um cenário profundamente diferente.”
O comunicado conclui reforçando a missão da entidade:
“Diante dessas mudanças, a AIR renova seu compromisso de representar e defender a radiodifusão e de promover as condições necessárias para que os meios e os criadores de conteúdos possam continuar inovando, crescendo e cumprindo sua indispensável função a serviço da sociedade.”






