Passados trinta dias da morte de Isabelle Caracristi, a mãe da jovem, a professora universitária Isorlanda Caracristi, utilizou as redes sociais para se pronunciar sobre o caso que comoveu o estado. Enquanto lida com o luto, ela voltou a exigir punição e direcionou graves acusações contra o ex-namorado da vítima, João Munhoz Neto, que atualmente responde aos crimes em liberdade após deixar a prisão.
Luto e lembranças presentes
Em uma gravação com quase dez minutos de duração, Isorlanda relatou que ainda enfrenta dificuldades para retomar o cotidiano, mas destacou a rede de apoio que tem recebido de familiares, amigos e desconhecidos. A mãe da estudante ressaltou que a memória da filha permanece extremamente viva em seu dia a dia.
“A Isabelle continua viva em mim: no amor que plantou, na memória do seu sorriso e em cada lembrança do ser humano lindo, carismático, alegre e cheio de luz que ela sempre foi. Uma vida tão cheia de futuro, interrompida de forma tão violenta e precoce”, escreveu ela em uma postagem complementar no Instagram.
Em seguida, a professora detalhou como percebe a ausência da filha: “As pessoas dizem que quando alguém morre fica aquele vazio. Não, eu não tô com esse vazio não, gente, eu tô com uma presença forte, uma saudade muito presente. Eu estou com muita falta da minha filha e tenho momentos de altos e altos. Ainda não consegui retomar o ritmo normal da minha vida, mas tô tentando, tô tendo muito apoio dos meus amigos, da minha família, principalmente dos meus filhos e das pessoas mesmo que continuam me dando muita solidariedade, [que] encontro na rua, na própria mídia”.
Acusações contra o ex-namorado
O inquérito policial sobre o falecimento da estudante foi finalizado no final de setembro, reunindo 17 laudos periciais que apontaram precipitação voluntária da jovem. Contudo, o ex-companheiro dela, João Munhoz Neto, foi formalmente indiciado por violência psicológica e fraude processual, após passar dez dias detenido sob a acusação de atrapalhar as investigações. Atualmente, ele cumpre medidas cautelares, como o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Isorlanda foi incisiva ao falar sobre o investigado, acusando-o de violência física, psicológica e de episódios de assédio que teriam ocorrido no ambiente de trabalho de ambos.
“Não adianta tentar descontextualizar e fazer desse rapaz uma vítima, um pobre coitado vítima, que não sabe direito o que aconteceu, totalmente alheio ao que aconteceu, não. Esse rapaz cometeu assédio com outras meninas no trabalho, não esqueçamos disso, essas meninas deram o seu depoimento. Está lá registrado na polícia, então, ele é um assediador”, declarou.
A defesa do investigado, por sua vez, sustenta a tese de inocência desde o início do processo. A advogada Lígia Peixe, responsável pela representação de João Munhoz Neto, manifestou-se sobre a soltura do cliente e os desdobramentos jurídicos.
“Essa é a primeira fase para que se comprove a inocência do meu cliente. Ele nunca fez nada do que está sendo acusado”, afirmou a defensora, acrescentando que “a liberdade dele hoje é um direito. Ele nunca deveria ter sido preso, porque ele nunca obstruiu a justiça. Ele sofreu com a perca da namorada, e hoje ele está sendo posto em liberdade com medidas cautelares. Mas isso é apenas uma primeira fase, até que nós comprovemos no final a inocência total dele, de todas essas acusações absurdas”.
Apelo por conscientização
Diante da repercussão do caso, a professora também repudiou ataques virtuais direcionados a ela e à filha, afirmando que a maioria da sociedade compreende a verdade dos fatos. Por fim, ela transformou a própria dor em um chamado público por respeito e conscientização sobre a violência de gênero.
“Essa dor que eu sinto, imensa, eu estou transformando em força, em força para vencer, em força para dar continuidade, e eu não faço isso só por mim e pela minha filha não. Eu faço isso por todas as meninas, todas as mulheres que sofrem esse tipo de violência. E eu faço um apelo, gente, vamos construir um mundo melhor. Homens, senhores, rapazes, vamos amar mais, vamos amar mais nós mulheres. […] Tratem com respeito, com amor, nós precisamos de um mundo melhor, gente, de um mundo mais justo, um mundo mais amoroso, [com] menos violência”, concluiu.






