A magistrada Thais Caroline Brecht Esteves, de 46 anos, alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira mulher a assumir o posto de juíza titular da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santos, no litoral paulista.
Julgamento de grande repercussão
Recentemente, ela conduziu o caso de grande repercussão nacional em que o sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho recebeu uma condenação de 123 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado. O militar foi responsabilizado pelo assassinato da esposa a facadas e pela tentativa de homicídio contra a própria filha, uma criança de 10 anos, dentro de uma clínica médica na cidade litorânea.
Em entrevista concedida sobre os bastidores da Justiça, a magistrada abriu o jogo sobre a rotina exaustiva de julgamentos que se estendem por horas e o método utilizado para definir as punições aos réus.
“Eu não fixo a pena pensando em ser rigorosa. Penso em ser justa […]. Sou muito criteriosa nas minhas decisões. Não faço nada por impulso ou por comoção social”, afirmou Thais. “Percebo nas audiências que ainda existe bastante misoginia em relação a uma juíza mulher, que talvez com mais frequência tem que se fazer respeitar, sem perder a gentileza”, destacou ela.
Trajetória e desafios na magistratura
Formada em direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 2002, Thais atuou como advogada antes de ingressar na carreira pública em 2007, após ser aprovada em concurso para juíza substituta. Ao longo dos anos, passou por comarcas como Santo André, Caieiras, Franco da Rocha e atuou em forças-tarefas e tribunais regionais até alcançar a titularidade na Baixada Santista em 2026.
A rotina no Tribunal do Júri envolve desde a análise de inquéritos policiais até sessões plenárias que podem durar até 14 horas seguidas. Conciliar a alta carga de trabalho com a criação de três filhos exigiu resiliência em um ambiente historicamente dominado por homens.
Controle emocional e busca por justiça
Para manter o equilíbrio diante de crimes que causam forte impacto na sociedade, a juíza recorre à terapia e foca estritamente nas provas contidas nos processos judiciais.
“O julgamento mais marcante foi por uma questão diferente. Há situações que um juiz do júri precisa contornar e precisa decidir na hora, sem tempo para pesquisar, sem um Google ou ChatGPT para perguntar”, explicou.






