O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), eleito governador de Minas Gerais, virou alvo de críticas e foi apelidado de “socialista” e “comunista” por usuários nas redes sociais. Embora se declare de direita e apoie a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, o político mineiro tem adotado posturas e defendido iniciativas que parte da internet associa a bandeiras historicamente ligadas à esquerda.
Polêmica sobre patrocínios no futebol mineiro A onda de comentários teve início após a publicação de um vídeo em que o senador comemorava a decisão do TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais) de barrar patrocínios do governo estadual, liderado por Mateus Simões (PSD), a clubes de futebol. A medida previa um repasse de R$ 32 milhões por meio da Cemig e da Codemig para Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG como compensação pela perda de arrecadação com a proibição das casas de apostas.
Cleitinho questionou a utilização de verbas de empresas públicas para socorrer equipes que funcionam como SAFs e pertencem à iniciativa privada. O parlamentar classificou o anúncio como uma estratégia eleitoreira e afirmou ter acionado o Tribunal de Contas logo após o pleito. A justificativa para travar os recursos envolveu o cenário financeiro do estado, pois, segundo ele, havia risco de atrasos nos salários de servidores e falta de merenda escolar durante a transição. “Vamos investir no povo”, declarou o político ao defender o redirecionamento do dinheiro público.
Debate sobre a jornada de trabalho Além da questão dos patrocínios, internautas resgataram episódios em que Cleitinho defendeu pautas trabalhistas e sociais. Em maio de 2026, por exemplo, o senador levou uma caixa de pizza e uma nota de R$ 50 à tribuna do Senado para ilustrar a perda do poder de compra e cobrar o avanço de propostas que reduzem a jornada de trabalho.
A manifestação cobrava celeridade na tramitação da PEC 4/2025, que visa diminuir o limite semanal de 44 para 40 horas, mantendo dois dias de descanso e o salário integral. A medida passou pela CCJ do Senado em setembro do mesmo ano. A postura gerou contraste com aliados, visto que Flávio Bolsonaro já havia se posicionado contra a alteração, embora Cleitinho tenha afirmado posteriormente que o colega aceitaria votar a favor da matéria.
Isenção de impostos e críticas a privilégios O histórico de declarações do senador também inclui a defesa da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000 mensais. Em vídeo divulgado em fevereiro de 2025, ele estimou que a mudança geraria uma economia de até R$ 500 por mês para os trabalhadores. Na ocasião, o parlamentar pediu apoio da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e declarou que não era “oposição ao Brasil, apenas ao governo Lula”.
Em novembro de 2026, o político criticou figuras públicas que estimulam boicotes a trabalhadores e empresários por motivos políticos, desafiando autoridades de diferentes espectros ideológicos a abrirem mão de seus próprios vencimentos, pagos com recursos públicos. Nas discussões virtuais, apoiadores e críticos também lembraram da oposição do mineiro à venda da concessionária de energia do estado. Ao questionar a proposta, o senador disparou: “Por que venderia uma empresa que dá lucro?”.






