O Ministério Público do Paraguai apresentou neste sábado (7) uma acusação formal contra o ex-presidente Santiago Peña por abuso de confiança e administração em benefício próprio. Os promotores também pediram à Justiça a prisão preventiva do ex-mandatário, que foi afastado do cargo após sofrer impeachment na última sexta-feira (6).
Investigação do caso Ueno Bank A acusação faz parte das investigações sobre o caso Ueno Bank, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira e seus antigos dirigentes. O processo contra Peña foi aberto formalmente na quinta-feira (5), pelo procurador-geral do Estado, Emiliano Rolón. A medida ocorreu após o recebimento de denúncias contra o então presidente e a ampliação de uma denúncia apresentada em 2025.
Envolvimento do Banco Central O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, também foi acusado. Ele responde por abuso de confiança, administração em benefício próprio e falsificação de documentos públicos. A promotoria também pediu a prisão preventiva de Carvallo.
Depoimento e detenção Peña estava preso temporariamente desde a noite da última sexta (6), quando foi destituído do cargo por unanimidade. O Ministério Público havia determiado sua detenção para garantir que tanto ele quanto o ex-cehfe do BC fossem prestar depoimento. As imputações foram apresentadas pelos promotores do caso após Peña e Carvallo prestarem depoimento. Os dois optaram por permanecer em silêncio. Neste sábado, após formalizar as acusações, os promotores pediram à Justiça a prisão preventiva dos dois. A decisão agora cabe ao juiz. O ex-presidente prestou depoimento à Justiça neste sábado (7), sede do Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção, por volta das 11h no horário de Brasília e não havia deixado o local até a última atualização desta reportagem. Ele é apontado como um dos sócios do grupo controlador do ueno e está sendo investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes relacionados ao escândalo. Peña foi preso temporariamente nesta sexta-feira (6), logo após a conclusão da votação da perda de seu mandato pelo Senado do país.
Outros alvos do processo O caso também envolve oito ex-diretores do Ueno Bank, acusados de crimes como gestão irregular durante uma situação de crise, abuso de confiança, tentativa de fraude e descumprimento da obrigação de manter livros contábeis. Eles também foram alvo de medidas cautelares e enviados ao Centro Nacional de Detenção de Tacumbú, enquanto as mulheres receberam prisão domiciliar e passaram a usar tornozeleiras eletrônicas, de acordo com o jornal paraguaio “ABC Color”.
A derrocada política e a crise no país vizinho culminaram na destituição unânime do chefe de Estado, que agora responde criminalmente perante a Justiça paraguaia.






