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Santiago Peña é preso no Paraguai após sofrer impeachment no Senado

Santiago Peña é preso no Paraguai

A Justiça do Paraguai determinou, nesta sexta-feira (6.nov.2026), a prisão domiciliar do ex-presidente Santiago Peña, do Partido Colorado. A ordem foi emitida logo após o Senado aprovar a destituição do político conservador do cargo máximo do Poder Executivo.

Operação policial e mandados

Agentes da Polícia Nacional se deslocaram até a residência do ex-mandatário em Assunção para cumprir a determinação. De acordo com os protocolos judiciais, ele permanecerá detido no local até ser apresentado formalmente à Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público.

Além de Peña, a ordem de detenção também atingiu Carlos Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Ambos são investigados por suspeita de participação na crise financeira em torno do Ueno Bank. Enquanto o ex-presidente cumpre a medida em sua moradia, Carvallo foi direcionado a instalações determinadas pelo Comando da Polícia.

O mandado contou com a assinatura de uma força-tarefa de promotores do Ministério Público de Delitos Econômicos e Anticorrupção, composta por Elena Fiore, Christian Benítez e Silvia González Véster, além da agente Ruth Karina Benítez, da Unidade Especializada em Delitos Informáticos e Lavagem de Ativos. Enquanto a ação policial ocorria na capital, Pedro Alliana assumia oficialmente o comando do país.

Origens da crise institucional

As suspeitas contra a gestão de Santiago Peña remontam à sua posse em 2023, período em que o Ueno Bank expandiu sua atuação no mercado local após migrar de financeira para banco. O político manteve laços societários com o Grupo Vázquez — controlador da instituição bancária — até março de 2025.

Grupos de oposição apontam a existência de conflito de interesses na concessão de empréstimos a companhias vinculadas ao Grupo Vázquez, cujos valores teriam superado os tetos regulatórios permitidos. Parlamentares contrários ao governo também alegam que regras institucionais foram manipuladas com o respaldo do Banco Central, sob a gestão de Carlos Carvallo, que havia presidido o Ueno até agosto de 2023 antes de assumir a autoridade monetária a convite de Peña.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público reúnem um conjunto grave de acusações contra o ex-chefe do Executivo paraguaio:

  • conflito de interesses e cooptação do Estado;
  • manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;
  • exceder os limites de crédito no Ueno Bank e encobrimento institucional do Banco Central;
  • benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;
  • afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistêmico.

Impeachment relâmpago no Congresso

A queda de Santiago Peña foi sacramentada pelo Senado paraguaio com 44 votos favoráveis entre os 45 parlamentares presentes, consolidando a aprovação unânime do impeachment. A votação ocorreu um dia após a Câmara de Deputados avalizar o processo, mesmo diante de uma tentativa do então presidente de renunciar ao cargo.

O julgamento político teve início na quinta-feira (5.nov), após manifestação de Peña nas redes sociais indicando que apresentaria sua defesa. Na sessão seguinte, os advogados constituídos defenderam o ex-presidente, que optou por não comparecer ao plenário. A única ausência registrada na votação foi a do senador Enrique Riera, que havia renunciado ao posto de ministro do Interior na véspera após entregar pessoalmente ao Congresso a carta de renúncia redigida por Peña.

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