O corpo de um empresário do Espírito Santo foi localizado neste sábado (5) enterrado em uma cova rasa no bairro Unamar, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Christiano Deorce Benedito, de 54 anos, estava desaparecido desde o mês de outubro, e o caso revelou uma trama de homicídio e extorsão praticada por traficantes locais.
Investigação conduzida pela Delegacia Antissequestro
A Delegacia Antissequestro (DAS) assumiu o caso após a Polícia Civil do Espírito Santo comunicar o desaparecimento em solo fluminense e alertar sobre as cobranças financeiras direcionadas a pessoas próximas da vítima. Christiano, que atuava no setor de madeira, viajou para Cabo Frio em 20 de outubro para efetuar entregas comerciais, hospedando-se em um hotel no bairro Aquarius.
No dia seguinte, 21 de outubro, ele foi atraído por criminosos e entregue a facções criminosas da região. Conforme a apuração policial, o homicídio ocorreu no mesmo dia por motivação patrimonial. Mesmo após a morte do empresário, os suspeitos mantiveram contato com parentes e conhecidos, exigindo transferências via PIX sob o falso argumento de que ele estava mantido em cativeiro.
Prisões e localização do corpo
A família oficializou o sumiço no dia 22 de outubro, e no dia seguinte os agentes rastrearam uma movimentação bancária ligada a uma mulher. Ela acabou presa durante a operação e vai responder pelo crime de extorsão.
Em 27 de outubro, os policiais rastrearam Wallace Santos de Oliveira, conhecido como WL e apontado como gerente do tráfico em Unamar. Durante a abordagem, ele reagiu e houve troca de tiros. O suspeito foi atingido, caiu em um rio e seu corpo precisou ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros.
As diligências também identificaram Lucas Reis Lima de Freotas, de 20 anos, achado em 5 de novembro em um hotel em Saquarema. Durante o interrogatório, ele confessou ter participado da ocultação do cadáver e apontou onde o corpo estava. A equipe policial foi até Unamar, encontrou os restos mortais e localizou a caminhonete da vítima nas proximidades.
Motivação e plano financeiro dos criminosos
Para tentar legitimar a execução perante os moradores da comunidade, os criminosos inventaram e espalharam boatos de que o empresário seria estuprador.
A apuração indica que o bando pretendia obter R$ 4 mil por meio das extorsões aplicadas à família e amigos. Além disso, os criminosos planejavam vender a caminhonete do empresário por cerca de R$ 40 mil. Uma parcela do dinheiro obtido com a venda do veículo seria repassada aos intermediários do esquema de extorsão que emprestaram contas bancárias para receber os valores ilícitos.






