Home / Política / Eduardo Bolsonaro diz que Moraes deixará STF se Flávio vencer

Eduardo Bolsonaro diz que Moraes deixará STF se Flávio vencer

Eduardo Bolsonaro diz que Moraes não vai seguir no STF se Flávio vencer

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou na noite de quarta-feira, 14, em Washington, que o ministro Alexandre de Moraes não poderá continuar no Supremo Tribunal Federal caso seu irmão, Flávio Bolsonaro, vença a eleição para a Presidência da República. Atualmente morando nos Estados Unidos, o ex-parlamentar condicionou sua volta ao Brasil ao fim da pena que recebeu e declarou que não pretende cumprir a condenação imposta pelo magistrado.

Declarações em evento internacional e articulações políticas

Durante sua participação em um evento promovido pela plataforma Latino Wall Street e pelo portal La Derecha Diario, o político criticou duramente a atuação do magistrado e fez declarações contundentes a jornalistas brasileiros.

“Primeiro a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, declarou Eduardo. O principal nome da noite no evento era o presidente da Argentina, Javier Milei, que mantém aliança com o ex-deputado.

Nos bastidores de Brasília, decisões recentes do STF foram interpretadas como possíveis sinais de aproximação com o grupo de Flávio, que terminou o primeiro turno da disputa presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os episódios citados estão o relaxamento da prisão de Débora Rodrigues dos Santos e gestos políticos de figuras como o ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação original de Moraes ao Supremo.

Apesar disso, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, descartou publicamente qualquer entendimento com o magistrado. No mesmo sentido, Eduardo comentou sobre supostas tentativas de acordo.

“Gostei que ele já veio rastejar atrás de um acordo e que o PL rejeitado o acordo”, declarou, sem detalhar a que negociação se referia. Em seguida, reforçou a avaliação sobre a convivência institucional em um eventual governo: “E com o Alexandre de Moraes a questão é muito pessoal. E eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte”.

Condenação judicial e planos de anistia

O ex-deputado foi condenado a mais de quatro anos de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação de autoridades, após atuar junto a políticos norte-americanos em favor de sanções contra membros do tribunal. Na semana passada, o ministro determinou a expedição de um mandado de prisão.

Residindo no exterior desde fevereiro de 2025, Eduardo reiterou que não retornará ao território nacional para cumprir a punição judicial. “Não vou puxar cadeia sendo inocente”, afirmou, classificando o ministro como um “tirano” e uma “pessoa totalmente fora de controle”.

Enquanto isso, aliados do senador articulam a aprovação de uma anistia no Congresso durante o período de transição para beneficiar cerca de 2 mil apoiadores de Jair Bolsonaro, incluindo o próprio Eduardo. Se a medida não avançar, interlocutores apontam a possibilidade de concessão de indulto no dia da posse, marcada para 6 de janeiro.

Indefinição ministerial e pautas de segurança

Questionado sobre a possibilidade de assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo do irmão, Eduardo evitou confirmar a indicação. Enquanto setores do centrão tentam barrar seu nome e defendem alternativas voltadas ao mercado, o núcleo familiar o enxerga como uma peça central na formulação da política externa.

Sobre o cenário eleitoral, o ex-deputado adotou tom de cautela. “Flávio está muito ciente de que ainda não tem nada ganho”, afirmou.

Em relação à Argentina, ele mencionou conversas informais com Javier Milei. “Não vamos fazer acordo, vamos tomar um café como amigos e dali vai sair benefício para os dois povos”, disse.

Ademais, Eduardo apontou que uma gestão liderada por seu irmão buscaria inspiração no modelo de encarceramento em massa adotado por Nayib Bukele em El Salvador e assegurou que o pleito representará “o fim da censura da Suprema Corte”. Ele também voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas e negou qualquer interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, rechaçando críticas sobre um fundo de US$ 1 milhão liberado por Washington.

“Interferência teve em 2022”, pontuou, relembrando a atuação de autoridades estrangeiras no período. “A gente teve o diretor-geral da CIA indo ao Brasil para nos ameaçar: ‘Ou vocês reconhecem o resultado da eleição, pouco importando se vai ser algo limpo ou não, ou então a gente vai sancionar o país’. Isso daí é que foi grave. Então o Brasil já sofreu uma interferência internacional. O que eu vejo agora é justamente o oposto.”

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *