O cenário político de Israel passou por uma reviravolta após o líder da oposição, Gadi Eisenkot, assegurar na quinta-feira, 5, o respaldo de 67 membros do Parlamento para suceder o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O atual premiê contou com 46 apoios, enquanto 7 parlamentares optaram pela abstenção, superando a marca mínima de 61 cadeiras necessárias para obter a maioria na Knesset, que possui 120 assentos no total.
Resistência presidencial e negociações
Mesmo com cinco indicações acima do necessário, o presidente Isaac Herzog adotou cautela antes de definir quem liderará as negociações para a formação do novo gabinete. “Os resultados das consultas parecem claros. Mas a autoridade que me foi concedida por lei é a de determinar quem tem a capacidade de formar um governo, e isso não está totalmente claro à luz dos vetos mútuos entre os blocos e dentro dos próprios blocos”, declarou Herzog, que prometeu anunciar sua escolha final após novos encontros com os líderes partidários.
Nos bastidores, imprensa local aponta que Herzog articula a criação de um governo de unidade nacional que una partidos judaicos sionistas, deixando de lado tanto as siglas árabes quanto as ultraortodoxas. Simultaneamente, manifestantes ocuparam as ruas de Jerusalém para pressionar por um entendimento político e exigir a inclusão árabe no futuro comando do país.
Apoio histórico dos partidos árabes
A guinada na oposição foi impulsionada pela adesão da Lista Unida, principal partido árabe israelense, que garantiu respaldo a Eisenkot para barrar o retorno de Netanyahu. “A decisão atende à demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu ao poder”, explicou o partido em um comunicado. A legenda se junta ao Ra’am, consolidando o peso político da bancada árabe após a eleição de um recorde de 19 deputados no pleito do dia 27.
O enfraquecimento de Netanyahu também se acentuou quando o partido Judaísmo Unido da Torá, aliado de longa data, decidiu se abster devido a divergências sobre o alistamento militar de estudantes religiosos. O partido Yashar, liderado por Eisenkot, celebrou o recorde de recomendações desde 2015 e cobrou agilidade do presidente. “Binyamin Netanyahu é um primeiro-ministro interino liderando uma minoria de apenas 46 cadeiras”, afirma o partido. “Ele não tem mandato, não tem maioria e não goza da confiança do público.”
Desafios para a coalizão e próximos passos
Apesar da aparente vantagem numérica, a aliança opositora enfrenta barreiras internas e a relutância de alguns setores em aceitar acordos com parlamentares árabes, cuja população representa cerca de 20% do país. “Estendemos a mão para apoiar os esforços de Eisenkot e faremos o possível para afastar Netanyahu do poder”, declarou o líder do Ra’am, Mansur Abbas, após se reunir com o presidente israelense.
Enquanto Herzog dispõe de prazo até a próxima quarta-feira para oficializar a indicação — com 28 dias iniciais para a formação do governo —, Netanyahu tenta se manter no cargo explorando as divisões da oposição e lançando duras críticas contra os partidos árabes, acusando-os de ameaçar a estabilidade de Israel.






