Uma distribuidora investigada por comercializar medicamentos falsificados contra o câncer para hospitais repassou R$ 2,9 milhões em 2024 para a empresa de um dos alvos presos na Operação Laziosi, conforme apontou o Ministério Público (MP). O esquema gerou uma nova decisão judicial que ampliou o bloqueio de bens dos suspeitos para até R$ 15 milhões.
Desdobramentos e prisões da operação
A ofensiva contra o grupo criminoso resultou na prisão de três pessoas em sua segunda fase, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em conjunto com a Polícia Civil. Os investigados respondem por suspeita de venda de remédio falsificado, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Durante as diligências, as defesas dos suspeitos e as empresas citadas foram procuradas, mas não houve retorno até o fechamento da apuração. Segundo o delegado Diógenes Santiago Netto, os presos ficaram em silêncio durante os depoimentos.
Movimentações financeiras e abertura de holding
As investigações detalham o caminho percorrido pelo dinheiro ilícito. Petter Gabriel Cavalcante Chagas, apontado como o elo entre o esquema e os hospitais, abriu uma holding com capital social de R$ 500 mil. A estrutura patrimonial foi criada meses após a deflagração da primeira fase da operação policial.
O Ministério Público destacou que a origem dos R$ 500 mil injetados na holding é desconhecida, apontando ainda que o investigado realizou saques em dinheiro vivo que somaram centenas de milhares de reais de outra empresa própria no mesmo período. Como medida cautelar, a Justiça proibiu alterações societárias na holding e anexou o patrimônio ao bloqueio geral de bens.
Repasses milionários e empresas de fachada
Entre maio e novembro de 2024, a distribuidora Nacionalfarma realizou dezenas de transferências para a Long Farma, empresa pertencente a Petter, totalizando R$ 2,9 milhões. No mesmo intervalo, a distribuidora comercializava o imunoterápico Keytruda — medicamento de alto custo que estimula o sistema imunológico contra tumores — para diversas unidades hospitalares.
Outro ponto que chamou a atenção da polícia envolve a Ideal Pharma, aberta em 2023 com um capital modesto que registrou lucros expressivos desproporcionais à sua estrutura. A empresa foi utilizada para emitir notas fiscais retroativas na tentativa de legitimar a origem de remédios falsificados fornecidos a hospitais do interior paulista.
Origem das investigações
O caso veio à tona após a fabricante do Keytruda identificar que um frasco comercializado pela Nacionalfarma a um hospital da capital continha apenas cloreto de sódio e água, sem qualquer princípio ativo oncológico. O avanço das apurações resultou na emissão de mandados de prisão preventiva e na extensão das restrições financeiras contra todos os envolvidos no esquema criminoso.






