Uma força-tarefa da Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma grande operação para combater empresas que mantinham serviços de apostas online de forma irregular, mesmo após a determinação de veto pelo governo federal. A estimativa dos investigadores é que a rede criminosa tenha movimentado uma quantia superior a R$ 700 milhões apenas no ano de 2026.
Cumprimento de mandados e apreensões
Para desarticular o esquema, 200 agentes saíram às ruas para cumprir 52 ordens judiciais de busca e apreensão. Os alvos estão espalhados pelo Distrito Federal e por outros cinco estados brasileiros. Durante as diligências, as equipes recolheram dispositivos eletrônicos, farta documentação, um veículo de luxo e o equivalente a R$ 280 mil em criptomoedas.
As investigações conduzidas até o momento apontam indícios da prática de crimes como exploração de jogos de azar ilegais, estelionato, lavagem de capitais e constituição de organização criminosa.
Esquema de lavagem de dinheiro
O ponto de partida para a investigação foi um comunicado oficial emitido pelo Ministério da Fazenda, que alertou sobre a persistência de plataformas clandestinas no mercado digital. Os apostadores utilizavam portais hospedados fora do país, e os recursos financeiros eram direcionados para cerca de 30 empresas de fachada registradas no Distrito Federal. Entre os endereços utilizados como fachada constavam estabelecimentos comerciais como padarias, clínicas e até mesmo espaços de atendimento esotérico.
Na etapa final do fluxo financeiro, o montante era centralizado em uma instituição de pagamento situada no estado de São Paulo, identificada como a fintech A55 Sociedade de Crédito. As ordens judiciais expedidas pela Justiça também abrangeram o bloqueio de ativos financeiros e patrimoniais, a interrupção das atividades de mais de 100 cadastros nacionais de pessoa jurídica (CNPJs) e a quebra dos sigilos fiscais e bancários dos envolvidos.
“Esse é um estágio inicial. O nosso objetivo hoje foi bloquear valores em conta corrente e estancar, parar, tentar parar com essa atividade”, diz o delegado Paulo Pereira.
Posicionamento da defesa
Em nota oficial, a fintech A55 Sociedade de Crédito Direto declarou que a eventual prestação de serviços a algum investigado deve ser examinada com base em registros concretos; que reafirma seu compromisso com a legalidade; e que está à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos.
A partir de agora, a corporação policial se concentrará na análise do material apreendido para individualizar as condutas e verificar a possível participação de novos suspeitos na rede de lavagem de dinheiro.






