Uma onda de paralisações e protestos tomou conta de pelo menos 260 cidades francesas nesta quinta-feira (5.nov.2026). Sindicatos e grupos estudantis uniram forças contra a escalada nos preços de alimentos, energia e combustíveis, além da queda no poder de compra da população, criando um cenário de instabilidade política para o presidente Emmanuel Macron a apenas cinco meses das eleições de 2027.
Desafios logísticos e adesão
A mobilização nacional impactou diretamente o funcionamento de serviços essenciais. Na capital, a Torre Eiffel precisou encerrar as atividades devido à adesão de seus funcionários ao movimento. O setor de transportes e a geração de energia nuclear registraram reduções operacionais logo nas primeiras horas do dia, enquanto centenas de escolas secundárias foram bloqueadas por estudantes. Dados do Ministério da Educação indicam que 17,5% dos professores da rede pública do ensino fundamental aderiram à paralisação.
Segurança e confrontos nas ruas
Para monitorar as manifestações, o governo escalou 70.000 policiais e agentes de segurança, contando com suporte aéreo de helicópteros, drones e o uso de veículos blindados. A ordem partiu do ministro do Interior, Laurent Nuñez, que informou a mobilização de 70.000 policiais e agentes de segurança em todo o território francês, com o suporte de veículos blindados, drones e helicópteros.
Apesar da forte presença policial, foram registrados confrontos em cidades como Paris, Lyon e Rennes. Em diversos pontos, as autoridades recorreram ao uso de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que utilizavam contêineres de lixo para bloquear vias. Em Rennes, a situação escalou quando indivíduos mascarados arremessaram esferas de aço contra os agentes.
Pauta econômica e o futuro político
A agenda de reivindicações dos sindicatos inclui o reajuste do salário mínimo, aumentos salariais generalizados, medidas de justiça fiscal e a defesa dos serviços públicos. O movimento, que começou com estudantes do ensino médio em setembro, ganhou força com a entrada das centrais sindicais e do funcionalismo público.
A pressão sobre o Palácio do Élisée é intensa, já que o mandato de Emmanuel Macron se aproxima do fim em maio. Nos bastidores, a prioridade do governo é conter a crise social para garantir que o processo eleitoral ocorra em um ambiente de estabilidade. Estimativas oficiais apontam que entre 500 mil e 700 mil pessoas foram às ruas fora de Paris, somadas a um público de 40.000 a 80.000 manifestantes na capital francesa.






