O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu interromper o ciclo de cortes da taxa Selic, mantendo o índice em 13,75% ao ano. A medida, que já era aguardada por grande parte do mercado financeiro devido às incertezas fiscais e pressões inflacionárias, provocou uma reação imediata de descontentamento no Partido dos Trabalhadores e em setores da base governista.
Críticas à postura do Banco Central
Entre os críticos da decisão, o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias, afirmou que o BC sucumbiu às pressões do mercado. Segundo ele, se o Flávio Bolsonaro vencesse, o mercado previa queda dos juros. Se fosse Lula, como foi, a queda dos juros seria interrompida. O que foi formalizado ontem pelo Copom.
Essa insatisfação alimenta um movimento interno que defende que o presidente Lula utilize as próximas oportunidades para indicar nomes mais alinhados a uma política de redução dos juros, buscando maior sintonia entre a autoridade monetária e a agenda econômica do Palácio do Planalto.
O desafio da responsabilidade fiscal
Apesar das críticas, o governo enfrenta o desafio de apresentar um plano concreto para o cumprimento das metas fiscais. Para o próximo ano, a meta prevê um superávit primário de 0,5% do PIB. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, trabalha na estruturação dessas medidas, que devem ser apresentadas ao presidente após seu retorno da Turquia, onde participará da COP 30.
Lula deve realizar um pronunciamento no próximo domingo, onde a expectativa é que reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal, assegurando, ao mesmo tempo, a manutenção de programas sociais. Sobre o receio de retrocessos em promessas, assessores garantem que não haverá “estelionato eleitoral” no Lula 4.
Trocas no comando e autonomia
O cenário de tensão é ampliado pela abertura de vagas na diretoria do Banco Central. Duas posições já estão disponíveis e outras duas serão abertas em fevereiro. Contudo, interlocutores próximos ao presidente indicam que ele deve evitar confrontos diretos que possam ser interpretados como uma tentativa de controlar a autarquia, preservando a autonomia do órgão para evitar uma crise com investidores.
Entre as propostas que circularam nos bastidores do PT recentemente, esteve o plano do economista André Lara Resende, que sugeria uma queda da Selic para 7,5% em um ano. A ideia, contudo, foi recebida com ceticismo por especialistas, que apontaram riscos pela falta de precedentes internacionais para o modelo proposto.






