O cenário de endividamento no Brasil apresentou uma trajetória de queda pelo segundo mês consecutivo, segundo os dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em outubro, o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer, como financiamentos, empréstimos ou uso do cartão de crédito, ficou em 81,6%. Embora tenha havido um recuo de 0,1 ponto percentual em relação a setembro, o índice ainda supera os 79,5% observados no mesmo mês de 2025.
Queda na inadimplência e percepção de dívidas
A inadimplência também seguiu a tendência de baixa, atingindo 29,3% em outubro, ante 29,6% no mês anterior, consolidando o menor patamar de 2026. Além disso, houve uma redução no grupo de consumidores que declaram não ter condições de quitar seus débitos atrasados, índice que passou de 12,5% para 12,2%. O tempo médio de atraso nas contas caiu para 65,1 dias, embora cerca de 48,8% das dívidas permaneçam vencidas há mais de três meses.
Paralelamente, a parcela de lares que se classificam como “muito endividados” encolheu, saindo de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro. Este é o resultado mais otimista registrado desde abril deste ano. Em contrapartida, houve um leve aumento na proporção de famílias que se consideram pouco endividadas, subindo de 34,9% para 35,8%.
Impacto desigual por faixa de renda
O comportamento da inadimplência não é uniforme entre as diferentes camadas sociais. Enquanto a média geral aponta para uma melhora, o grupo de famílias com renda de até três salários mínimos registrou um leve aumento nos atrasos, saindo de 38,5% para 38,6%. Nas demais faixas de renda, houve recuo ou estabilidade:
- Renda de 3 a 5 salários: queda de 27,8% para 27,1%.
- Renda de 5 a 10 salários: recuo de 20,2% para 19,7%.
- Renda superior a 10 salários: o índice manteve-se estável em 15%.
Perspectivas para o fim do ano
O comprometimento da renda familiar também deu sinais de alívio, com 19,3% das famílias destinando mais da metade do orçamento mensal para o pagamento de compromissos financeiros. Olhando para o futuro, as projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) sugerem que o endividamento geral deve permanecer estável em torno de 81,6% até o fechamento de dezembro. A expectativa é que a trajetória de queda na inadimplência se mantenha, encerrando o ano em 29,2%.






