Home / Política / Copom interrompe cortes e mercado projeta Selic alta até 2027

Copom interrompe cortes e mercado projeta Selic alta até 2027

Mercado vê Selic em 13,75% até 2027 após decisão do Copom

Especialistas do mercado financeiro estimam que o Banco Central manterá a taxa básica de juros, a Selic, estacionada em 13,75% ao ano até os primeiros meses de 2027. O encerramento do ciclo de flexibilização monetária ocorre em meio à deterioração das expectativas inflacionárias, às incertezas no cenário fiscal e a um ambiente externo desfavorável, fatores que limitam novas reduções mesmo diante da perda de dinamismo da atividade econômica no país.

Decisão unânime e revisão de metas

Na última quarta-feira (4.nov.2026), o Copom (Comitê de Política Monetária) optou por paralisar o ciclo de cortes que já acumulava cinco reduções seguidas desde março. A medida veio em linha com as apostas majoritárias do mercado, mas a comunicação oficial adotou tom cauteloso, sinalizando que a taxa pode ser mantida no mesmo patamar na reunião de dezembro.

Como reflexo desse cenário, a projeção oficial da autoridade monetária para a inflação em 2027 subiu de 3,9% para 4,7%. Já para o segundo trimestre de 2028, período monitorado de perto pela política monetária, a estimativa passou de 3,2% para 3,5%, ficando acima do centro da meta estabelecida em 3%.

Avaliação dos analistas sobre a pausa

O diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, apontou que a exclusão do trecho sobre a “magnitude total do ciclo de calibração” demonstra que a suspensão das quedas poderá durar mais tempo. Na visão do executivo, o retorno do afrouxamento monetário em 2027 dependerá diretamente de avanços nas expectativas de inflação, do ajuste fiscal e de evidências concretas de desaquecimento da economia.

Na mesma linha, o economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, também aposta na manutenção da taxa no encontro de dezembro. Para ele, o avanço inflacionário e a piora nas projeções restringem novos cortes, embora a atividade econômica brasileira mostre sinais evidentes de desaceleração.

Em contrapartida, a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, adotou uma leitura menos rígida do cenário. Ela classificou a nota do colegiado como neutra e com sinais moderados, destacando que o texto reconhece uma desaceleração mais forte da atividade. Segundo a especialista, o Banco Central deve segurar os juros em patamares elevados por um período prolongado, mas a chance de um novo aperto monetário segue baixa.

O peso do cenário fiscal

Josias Bento, sócio da GT Capital e especialista em mercado de capitais, avalizou a postura adotada pelo colegiado.

“O Banco Central está observando uma economia que desacelera, mas, ao mesmo tempo, as projeções de inflação continuam se afastando da meta. Esse é o grande dilema da política monetária brasileira”, afirmou.

De acordo com Bento, a ausência de disciplina nos gastos públicos pode travar os juros altos por mais tempo, gerando impactos negativos sobre o mercado acionário e os títulos públicos.

“Se não houver uma sinalização de responsabilidade fiscal, podemos conviver com juros elevados nesse patamar por mais tempo”, declarou.

O conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), Pablo Spyer, também avalizou a decisão do Comitê. Para ele, a supressão do termo “calibração” sugere o encerramento definitivo da fase de cortes.

“Não significa que teremos alta de juros, mas também não permite descartar essa possibilidade”, afirmou.

Spyer ressalta que os próximos movimentos do Banco Central serão guiados diretamente pela condução da política fiscal, pelas oscilações do câmbio e pela trajetória internacional dos preços do petróleo.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *