A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) detectou inconsistências e exige esclarecimentos sobre a célere transferência de uma propriedade de luxo na Ilha Comprida, localizada em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, para o grupo empresarial do advogado Willer Tomaz. O patrimônio é objeto de um litígio judicial contra o atacante Richarlison.
Investigação aponta trâmite acelerado em 2022 Um relatório interno do órgão federal indica que o processo de 2022 apresenta pontos críticos, destacando tanto a velocidade do andamento quanto a confecção manual de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT) após uma suposta pane no sistema informatizado.
O pedido da CAT foi protocolado pela companhia vendedora às 11h33 de 11 de julho de 2022, sendo concluído em exatos 100 minutos. Na solicitação, a empresa argumentou impreterível urgência e a impossibilidade de emissão digital, exigindo o documento de forma física.
Decisão judicial incompleta e novos órgãos acionados Outro ponto questionado pela SPU diz respeito ao embasamento legal da autorização, apoiada em uma ordem judicial que deixou de ser anexada na íntegra aos autos administrativos.
Diante das irregularidades encontradas, a pasta federal comunicou o envio do material à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Polícia Federal (PF) para as providências cabíveis. O Ibama também foi acionado para investigar supostos danos ambientais na região insular.
A disputa envolvendo o jogador e o advogado O conflito pela mansão, que possui uma cachoeira privativa, começou a partir de transações imobiliárias distintas. O atleta sustenta ter adquirido o espaço em 2020 pelo valor de R$ 10 milhões de antigos moradores. Posteriormente, a empresa Sport 70, pertencente ao jogador, iniciou trâmites para a regularização junto à SPU em setembro de 2021, procedimento que não foi finalizado.
Nesse intervalo, a WT Administração, firma associada a Willer Tomaz, adquiriu os direitos. O defensor alega que os posseiros anteriores não tinham domínio legal e que a compra foi feita de uma empresa detentora do registro oficial, cuja liberação ocorreu em meados de 2022.
Acusações e conexões políticas O atacante aponta que o advogado e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teriam atuado em conjunto para despojá-lo do bem após ele rejeitar uma oferta de venda feita pelo parlamentar.
O caso ganhou repercussão nacional após representação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG). Além deste endereço, levantamentos apontam que Willer Tomaz possui outras cinco residências em ilhas da mesma região fluminense, com aquisições concentradas entre 2021 e 2022.
Questionados sobre as acusações, a defesa do advogado preferiu o silêncio e não prestou esclarecimentos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro evitou responder aos contatos da imprensa.






