Uma imponente estrutura de 140 metros de comprimento e torre de 64 metros de altura, o navio-sonda NS-43 está prestes a deixar a costa do Amapá. A embarcação liderou as recentes pesquisas de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, localizado na bacia da Foz do Amazonas, e encerra sua passagem pelo estado após a confirmação de três achados de petróleo no mesmo poço.
O processo de segurança e o trabalho a bordo
Antes de partir em definitivo, a embarcação realiza o procedimento técnico de “abandono”. Essa etapa consiste no isolamento e tamponamento do poço, medida obrigatória para assegurar a proteção ambiental da região marítima.
Em entrevista à Rede Amazônica, o engenheiro de petróleo Artur Schlinker detalhou o funcionamento da mecânica interna da embarcação e a relevância da torre durante as atividades no fundo do oceano.
“A torre de perfuração nada mais é do que uma sequência de tubos de aço com uma broca na extremidade. Essas brocas são responsáveis por perfurar a partir do leito marinho. Todas as ferramentas que a gente utiliza durante a perfuração, tudo acontece a partir dessa torre. É ali que a gente monta, desce e vai montando para finalizar o poço e coletar as informações necessárias para a operação”, detalhou o engenheiro.
Resultados excepcionais e futuro na Margem Equatorial
O desempenho no bloco FZA-M-59 surpreendeu os especialistas técnicos devido à identificação de três reservatórios em uma única perfuração. Contudo, a confirmação da viabilidade comercial ainda depende de análises aprofundadas e novas perfurações na Margem Equatorial.
“Não é comum, é um resultado excepcional. Com as informações desses três intervalos detectados, a gente vai definir os próximos poços que serão perfurados no bloco FZA-M-59 e, quem sabe no futuro, declarar a viabilidade comercial. Ainda é cedo, precisamos perfurar os outros poços para determinar o potencial da região”, afirmou Schlinker.
Após a finalização do tamponamento no litoral amapaense nos próximos dias, a sonda seguirá viagem para a costa do Rio Grande do Norte, onde participará de novas operações programadas pela Petrobras.
Contexto da Margem Equatorial brasileira
A Margem Equatorial compreende uma vasta faixa marítima situada no litoral Norte do país, estendendo-se entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. A zona é tratada como uma fronteira estratégica para a exploração petrolífera nacional, abrigando bacias sedimentares importantes como a da Foz do Amazonas.
Nos últimos anos, o interesse corporativo na área cresceu devido às semelhanças geológicas com a costa atlântica da África, palco de grandes descobertas de óleo. Ao mesmo tempo, o território permanece no centro de discussões públicas sobre preservação ambiental e os critérios de licenciamento para o setor.






