O dólar registrou alta de 0,98% nesta terça-feira (3.nov.2026), alcançando a cotação de R$ 5,497 por volta das 11h55. No mesmo horário, o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, operava em desvalorização de 1,75%, aos 165.191,45 pontos, pressionado por um ambiente de cautela que afeta os negócios.
Pressões no cenário internacional e nacional
O ambiente de negociações permaneceu sob forte pressão devido a três vetores principais: o andamento das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a divulgação de novos indicadores sobre o mercado de trabalho norte-americano e a expectativa em torno da próxima definição da taxa básica de juros no Brasil.
No fechamento da última sexta-feira (30.out), a moeda norte-americana havia encerrado cotada a R$ 5,446, acumulando um avanço de 9,15% ao longo das cinco sessões anteriores. Já o índice acionário brasileiro terminou aquele pregão em retração de 0,75%, situando-se aos 167.921,80 pontos e acumulando uma perda de 18,12% ao longo da semana, marcando o quinto dia consecutivo de baixa.
Contexto histórico da desvalorização
O recuo semanal de 18,12% contabilizado pelo Ibovespa configurou a quinta maior retração desde a implantação do Plano Real, em julho de 1994, de acordo com levantamento realizado pela Elos Ayta com base em estatísticas da B3. O desempenho igualou, considerando duas casas decimais, a retração observada na semana dos ataques de 11 de setembro de 2001, quando o índice também registrou perda de 18,12%.
As quatro retração mais expressivas anteriores ocorreram durante a crise financeira na Ásia, em 1997, com baixa de 22,17%; a crise financeira global, em 2008, que teve queda de 20,01%; a chegada da pandemia de Covid-19, em 2020, com desvalorização de 18,88%; e o episódio de setembro de 2001.
O principal catalisador da queda de outubro de 2026 foi político e doméstico. A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno contrariou as expectativas de parte dos investidores sobre uma possível mudança na condução da política econômica e provocou uma reavaliação dos preços dos ativos brasileiros, segundo análise de Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
Fatores no radar dos investidores
As eleições de meio de mandato nos EUA, conhecidas como midterms, figuram entre os principais focos de atenção da sessão desta terça-feira (3.nov). Os eleitores norte-americanos comparecem às urnas para renovar praticamente todo o Congresso do país, com disputas em todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e em 35 das 100 vagas do Senado.
O desfecho do pleito possui relevância direta para a gestão do presidente Donald Trump. No ano de 2024, o Partido Republicano conquistou maioria em ambas as Casas legislativas, e a configuração atual do Parlamento pode impactar a execução da agenda governamental, especialmente em pautas ligadas a tributos, despesas públicas e normatizações.
No âmbito doméstico, os agentes financeiros aguardam o posicionamento oficial do Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira (4.nov.2026), na sequência dos encontros iniciados no dia anterior. Atualmente, a taxa Selic permanece fixada em 13,75% ao ano, patamar estabelecido pelo colegiado durante a reunião realizada no mês de setembro.






