Uma coalizão que reúne grandes fabricantes mundiais, incluindo Toyota, General Motors e Volkswagen, solicitou formalmente ao congresso dos Estados Unidos a aprovação de uma proibição definitiva para automóveis originários da china ainda em 2026.
A pressão da indústria automotiva
A movimentação foi organizada pela Alliance for Automotive Innovation, entidade que congrega quase todas as principais marcas do setor no mercado norte-americano, como Ford, BMW, Honda e Hyundai. A associação quer que os parlamentares aproveitem o período legislativo atual para sacramentar a medida, apontando que a presença desses produtos coloca em risco tanto a soberania nacional quanto o capital investido pelas empresas nas comunidades locais.
“Precisamos proteger o mercado dos Estados Unidos de uma enxurrada de importações chinesas que trazem risco de vigilância e colocam em desvantagem os fabricantes atuais que fizeram investimentos de longo alcance nas comunidades americanas”, afirmou John Bozzella, presidente da associação.
Cenário regulatório e barreiras tarifárias
O mercado norte-americano já conta com barreiras severas que dificultam a atuação de marcas asiáticas, incluindo restrições impostas no início de 2025 para evitar o vazamento de informações sensíveis de motoristas. Além disso, o país aplica taxas superiores a 100% sobre elétricos importados da china, mas o setor agora busca uma lei federal definitiva.
Apesar da articulação, a postura do presidente Donald Trump gerou incertezas no meio corporativo. Em setembro, o mandatário declarou à emissora Fox News que estaria disposto a permitir que companhias chinesas fabriquem veículos em solo estadunidense.
Tramitação e o avanço na europa
A proposta legislativa ganhou tração em julho após passar por uma comissão do senado, enquanto na câmara dos representantes o texto já soma mais de 100 coautores. Contudo, analistas políticos apontam que o calendário apertado e o cenário pós-eleitoral podem ameaçar a votação final antes de dezembro.
Para justificar a pressa, a entidade lembrou a expansão avassaladora da china no continente europeu, citando que a união europeia recebeu mais de 1,1 milhão de unidades nos primeiros oito meses de 2026, superando todo o volume acumulado no ano anterior.
“Dado o evidente risco à segurança nacional e o padrão de comportamento desleal da China, o Congresso deve proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que conseguiram fazer impunemente na Europa”, declarou.
Do lado asiático, o ministério das Relações Exteriores da china criticou as movimentações protecionistas e exigiu que washington passe “a respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência justa”, classificando as barreiras como práticas de repressão direcionada.






