O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, declarou que o engajamento de seu partido no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dependerá diretamente da condução da política econômica e do rigor com as contas públicas.
Condições para a aliança e foco na economia
Durante entrevista, o dirigente partidário pontuou que o grau de colaboração da legenda será medido pelas propostas apresentadas pelo Palácio do Planalto para o setor financeiro e fiscal do país.
“A intensidade da participação do PSD nessa gestão vai depender muito das propostas e da maneira como o presidente apresentar, em especial como será a condução da sua política econômica”, afirmou o líder partidário.
Kassab também mencionou a existência de apreensão no mercado quanto ao equilíbrio orçamentário do Estado e frisou que as diretrizes iniciais da futura equipe econômica serão fundamentais para definir os rumos da parceria institucional.
“Hoje existe uma expectativa ruim em relação ao equilíbrio fiscal, em relação às contas públicas”, declarou.
Esclarecimentos sobre os ministérios e diálogo com o centro
Em meio às articulações políticas que posicionam partidos como PSD, MDB e União Brasil no centro das negociações ministeriais para o governo que se inicia em janeiro de 2027, Kassab negou que tenha recebido qualquer convite pessoal para integrar a Esplanada dos Ministérios.
“Na verdade, Bruno, não é sondagem. O que existe é especulação”, afirmou ao ser questionado sobre o tema, ressaltando na sequência: “Não, não teve convite, então não tem condição nenhuma. Seria até uma arrogância, não é? É muito honroso ser ministro para qualquer brasileiro.”
O dirigente defendeu que a gestão federal busque uma maior aproximação com as forças de centro, argumentando que tal movimento trará mais estabilidade e governabilidade.
“Na medida em que o Lula fizer um governo também ao centro, ele vai ampliar o seu leque de apoios e vai ter muito mais tranquilidade para governar”, avaliou.
Críticas aos juros e sustentabilidade de gastos
Aprofundando as análises sobre o cenário macroeconômico brasileiro, o presidente do PSD ponderou sobre a necessidade de financiar adequadamente os programas sociais sem descuidar da estabilidade financeira do país.
“Quem criticaria aqui no Brasil Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Luz para Todos? Mas e os recursos? Da onde vem?”, questionou, fazendo críticas também ao atual patamar das taxas de juros.
“Com esses juros, por exemplo, quem é que quer investir?”, completou.
Por fim, o político reiterou que caberá ao chefe do Executivo adotar medidas concretas para aplacar as incertezas dos investidores e selecionar cuidadosamente os nomes que comandarão a economia.
“Ele que está com a bola nos pés e precisa dar um passo de tal maneira que essa expectativa seja revertida”, concluiu.






