O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, criticou duramente a postura adotada por Flávio Bolsonaro (PL) após o segundo turno das eleições presidenciais. Durante participação no programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan News, o dirigente apontou falhas estratégicas e classificou como “desastrosa” a carta publicada pelo parlamentar após sua chegada ao exterior.
Críticas à viagem e ao questionamento das urnas
A saída do país ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do parlamentar e proibi-lo de viajar para fora do território nacional. Já no exterior, Flávio divulgou um documento no qual se autoproclamava presidente eleito e contestava o resultado do pleito.
“Eu acho que a maneira como ele deixa o país foi muito ruim. Um candidato que tem 60 milhões de votos, que o primeiro passo é questionar o resultado”, afirmou Kassab. Para o dirigente, o senador poderia ter contestado eventuais irregularidades por vias institucionais sem adotar medidas consideradas precipitadas.
“Poderia, sabe, não quis cumprimentar o presidente, acho uma indelicadeza, mas tudo bem. […] Mas dizer que acatava e, como cidadão, como candidato, como eleitor, ele ia recorrer para denunciar essas questões, era muito mais fácil”, declarou o líder partidário, ressaltando que o político tentou corrigir a rota posteriormente. “Ele preferiu fazer de maneira diferente para depois recuar porque viu que tinha errado, mas mostrou seu instinto, não é? E no dia seguinte, além de viajar daquela maneira, chegando lá, faz aquela carta desastrosa”, completou.
Desgaste do bolsonarismo e cenário para 2030
Apesar de enxergar o movimento político enfraquecido, Kassab ponderou que o grupo ainda mantém capacidade de mobilização, citando o engajamento digital do parlamentar. “Eu entendo que o Bolsonaro não tá morto. […] Isso é muito significativo, mas tá desgastado. Tá desgastado”, avaliou.
Questionado sobre a disputa presidencial de 2030, o presidente do PSD demonstrou ceticismo em relação a novas candidaturas da família. “Eu não sei se teremos um Bolsonaro em eleições majoritárias daqui a quatro anos. Na minha visão de hoje, seria um grande erro. Já foi um grande erro”, declarou.
Avaliação estratégica da campanha
Segundo o dirigente, a escolha de lançar Flávio dificultou a conquista de eleitores moderados. Como o adversário representava uma esquerda enraizada, a melhor alternativa seria apostar em um nome com forte apelo junto ao centro político.
“Se você tem um candidato da esquerda, e o Lula é um candidato da esquerda, uma esquerda enraizada, era muito melhor se tivéssemos contra ele um candidato que entrasse mais no centro”, afirmou. “Na hora que sai o Flávio, ele disputou o centro com o Lula. Se a gente tivesse um candidato mais ao centro, não haveria disputa. O candidato levaria o centro, porque o centro tava decepcionado com o Lula”, acrescentou.
Sobre a possibilidade de Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorrer ao Palácio do Planalto no futuro, Kassab pregou cautela. “Realmente eu acho muito precipitado falar em eleições agora, até porque o eleitor vai perder o respeito. Cada um tem a sua missão”, concluiu.






