Uma iniciativa solidária que une preservação ambiental e apoio social tem mudado a realidade de pequenos pacientes oncológicos em dez estados brasileiros, transformando itens que seriam descartados em recursos vitais.
A força da mobilização nas escolas
Na Grande São Paulo, uma instituição de ensino adotou pontos de coleta dedicados a receber tampas plásticas e lacres de alumínio, mobilizando os estudantes quinzenalmente para enviar os itens a uma organização não governamental.
“A gente coleta as tampinhas, e eles conseguem dinheiro para o tratamento das crianças com câncer”, conta a estudante Eduarda Santos da Silva.
Além do impacto financeiro, o projeto pedagógico desperta a consciência ambiental nos alunos.
“É importante a criança saber a questão do consumo, a reutilização. E dentro desse projeto, eu vi a possibilidade também de termos uma ação social”, diz a professora Cida Paixão.
Logística de reciclagem e impacto nacional
Atuando como um dos 300 postos parceiros da rede, o colégio contribui para um volume mensal impressionante de 15 a 20 toneladas de plástico reciclado, material que passa por triagem e higienização antes de ser comercializado com indústrias de transformação.
Famílias acolhidas de longe
O montante financeiro obtido com a venda da matéria-prima serve para amparar famílias carentes vindas de outras regiões do país em busca de atendimento médico especializado.
Originária de Roraima, a pequena Ana Hadassa precisou se deslocar para o território paulista para combater a leucemia, recebendo suporte imediato da rede de solidariedade.
“Quando a gente veio para cá, a gente não sabia que era frio. Aí eu falei que ela precisava de roupa de frio, e eles enviaram”, conta Ana Lúcia de Jesus da Silva, mãe da Ana Hadassa Monteiro da Silva.
Outro caso atendido é o do pequeno Luís Fernando, de apenas quatro anos, que veio do Tocantins e recebe suplementação alimentar e mantimentos essenciais durante o processo terapêutico.
“Já está muito melhor. Caiu o cabelinho agora esses dias, né, Luís? Mas já está crescendo. É bem interessante saber que uma tampinha pode inclusive ajudar tantas famílias”, diz Kamila Cerino, mãe do Luís Fernando.
A expansão do acolhimiento humanizado
A fundadora da instituição, Fernanda de Lucca, deu início ao projeto após enfrentar o diagnóstico oncológico de um de seus filhos, alcançando a marca de 7 mil menores beneficiados diretamente ou por meio de suporte a hospitais e casas de apoio.
“As mães chegam até nós, nos abraçam, elas se sentem acolhidas. Porque a ideia do projeto é o acolhimento à família, porque naquele momento a família não tem por onde buscar”.
A gratidão pelo suporte recebido frequentemente se converte em engajamento contínuo, como demonstra Zenaide Maria Milesi De Arruda, avó de uma paciente que hoje atua como voluntária na causa.
“Continuamos ajudando as outras crianças, que tem bastante criança agora na ONG. Eu sou muito grata a eles”.






