Um projeto de extensão da Universidade de São Paulo (USP) reúne mensalmente pessoas de diferentes idades na Biblioteca Sinhá Junqueira, no Centro de Ribeirão Preto (SP), para conversar sobre morte, luto, cuidados paliativos e espiritualidade em saúde.
O projeto Death Café Conhecido como Death Café – Pausa para o café: Vamos falar sobre morte?, o espaço recebe participantes que perderam alguém, acompanham doenças graves ou sentem dificuldade para discutir o tema com amigos e familiares. Há também quem procure os encontros por curiosidade, medo da própria morte ou desejo de refletir sobre a trajetória de vida.
Desde maio de 2022, a iniciativa já realizou 48 encontros e contabilizou mais de mil participações, atraindo desde adolescentes até pessoas com mais de 80 anos, de forma totalmente gratuita e sem exigência de inscrição.
Apoio no enfrentamento do luto A enfermeira aposentada Valéria de Almeida Pereira, de 67 anos, encontrou nas reuniões uma forma de lidar com a saudade após perder a mãe para um câncer de pulmão em março de 2023.
“Eu descobri que, quanto mais eu falo da minha mãe, melhor eu me sinto. Não necessariamente falar só da sua passagem, desse sofrimento que foi para nós e para ela, mas falar da mulher que ela foi, da mãe que ela foi.”
O papel dos cuidados paliativos Antes do falecimento, a família contou com o suporte de uma médica especializada em cuidados paliativos, o que facilitou o diálogo sobre os desejos da paciente para o fim da vida. De acordo com a professora Marysia Mara Rodrigues do Prado De Carlo, coordenadora da iniciativa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, esse tipo de acompanhamento visa proporcionar qualidade de vida e amparo familiar.
“O cuidado paliativo é falar de vida com qualidade. Ter boa qualidade de vida enquanto houver vida e, principalmente, cuidar da família. Porque, para o cuidado paliativo, cuidar da família é essencial.”
Formação acadêmica e quebra de tabus A estudante de terapia ocupacional Bruna Ferreira Pepe, de 25 anos, preside a Liga de Espiritualidade em Saúde e Cuidados Paliativos e destaca a liberdade proporcionada pelo ambiente.
“É um espaço que a gente consegue trazer esse tipo de coisa sem ter aquele medo. ‘Será que eu falo sobre isso? Vai ser uma conversa ruim?’ É um lugar em que você se sente livre para poder falar.”
Para a coordenação, o principal desafio é romper com o interdito cultural que transforma a morte em um tabu na sociedade atual, oferecendo um espaço de escuta e acolhimento fundamentais para a saúde mental.






