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Negociações em Doha buscam fim da guerra no Irã em meio a ameaças de novos ataques

Guerra do Irã prossegue entre chance de acordo e risco de escalada

Representantes iranianos participaram neste domingo, 1º, pelo terceiro dia consecutivo, de conversas com mediadores catarianos em Doha, no Catar, na tentativa de encerrar a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Conforme relatado por uma autoridade ouvida pela Reuters, os esforços diplomáticos buscam estabelecer condições para o encerramento do conflito, que já dura oito meses, em meio ao risco de uma nova escalada.

As incertezas sobre o conflito Um dos principais fatores de incerteza é a possibilidade de retomada dos ataques norte-americanos depois das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, nesta terça-feira, 3. O presidente Donald Trump garantiu que não realizará novas ofensivas contra o Irã antes da votação. Apesar de considerar produtivas as conversas com Teerã, não descartou recorrer novamente à força militar depois do pleito.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou neste domingo que as negociações estão em andamento e apresentam avanços, mas ressaltou que ainda não foi alcançado um acordo definitivo. Segundo ele, os contatos com os mediadores catarianos prosseguem, enquanto o Irã mantém sua disposição tanto para a diplomacia quanto para a defesa militar.

Proposta para o Estreito de Ormuz Entre os assuntos discutidos está uma proposta para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo. Em entrevista concedida no sábado à emissora Al Jazeera, Araqchi disse que representantes iranianos e catarianos elaboraram um plano para restabelecer a passagem marítima em até dois dias depois de um eventual acordo com Washington.

Em declarações à imprensa estatal, o chanceler confirmou, neste domingo, que a proposta continua em análise, sem que as partes tenham chegado a uma conclusão. Enquanto as negociações avançam, o governo iraniano mantém suas advertências sobre possíveis represálias.

Teerã reitera que qualquer novo ataque ao país poderá provocar ações militares contra alvos norte-americanos e israelenses situados em países vizinhos. Com isso, o risco é o de que a guerra continue afetando o abastecimento mundial de petróleo e se espalhando por diferentes regiões do Oriente Médio.

Prontidão militar e diplomacia Araqchi declarou que o Irã está fazendo o possível para obter resultados nas conversas. O ministro também manifestou a expectativa de que a outra parte privilegie uma solução diplomática, em vez de recorrer a outros caminhos.

A disposição para negociar, entretanto, não impediu o reforço da preparação militar iraniana. No sábado 31, o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que as Forças Armadas permanecessem prontas para responder a eventuais ataques. Posteriormente, os militares anunciaram medidas para elevar seu nível de prontidão.

Nos EUA, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou no sábado que Trump ainda não decidiu se autorizará novas ofensivas contra o território iraniano. Segundo Rubio, a preferência do presidente é encerrar o conflito por meio de um entendimento diplomático.

A atual rodada de contatos incluiu reuniões realizadas na sexta-feira, 30 de outubro, em Teerã, entre autoridades iranianas e mediadores do Catar. No sábado, as conversas foram transferidas para Doha. Uma autoridade familiarizada com as negociações informou à Reuters que os representantes do Catar mantêm comunicação regular com Washington para coordenar as discussões.

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