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Direita falhou na economia e perdeu eleições por ignorar a cultura

Direita perde eleições por ignorar a ‘guerra cultural’, afirma deputado

O deputado estadual Claudio Branchieri (PL-RS) avaliou que a direita brasileira fracassou nas urnas por ter direcionado seus esforços exclusivamente aos indicadores econômicos, negligenciando a disputa ideológica no setor cultural. Através de um vídeo publicado nas redes sociais neste sábado, 31, o parlamentar argumentou que os conservadores deveriam destinar recursos para a produção de filmes, literatura, meio acadêmico e capacitação docente.

Durante a gravação, o político recordou o pleito presidencial que culminou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ocasião em que o petista obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário.

“O erro fatal da direita foi focar apenas na economia”, declarou Branchieri.

O peso da hegemonia cultural na política De acordo com o representante do legislativo gaúcho, divulgar estatísticas sobre inflação, taxa de juros e endividamento municipal ou federal torna-se ineficaz ao dialogar com eleitores que já possuem convicções políticas bem definidas.

“Enquanto discutíamos PIB, juros e empregos, eles venciam esta guerra”, disse Branchieri, fazendo menção ao avanço da esquerda.

Para fundamentar sua tese, o deputado recorreu ao pensamento do filósofo italiano Antonio Gramsci, conhecido por suas teorias acerca da dominação cultural. Na visão do parlamentar gaúcho, a esquerda compreendeu antecipadamente que a conquista do poder institucional dependia da influência prévia sobre os valores da sociedade.

“Quem domina a cultura, controla a narrativa”, ensinou. “Faz a ideologia virar senso comum.”

A influência de pensadores e o audiovisual O parlamentar também citou teóricos da Escola de Frankfurt, a exemplo de Max Horkheimer, Theodor Adorno e Herbert Marcuse, relacionando tais correntes intelectuais às transformações comportamentais ligadas à religiosidade, à estrutura familiar e ao sentimento patriótico.

“A revolução marxista não viria pela luta de classes, viria pela escola, pela arte, pela imprensa”, observou, destacando a expansão da esquerda em editoras, jornais, universidades e no cinema.

“Enquanto a direita fingia que isso não existia, a esquerda ocupava a universidade, formava professores, dominava as editoras, pautava os jornais, controlava até o critério do Oscar”, afirmou.

Como exemplo prático da necessidade de inserção no mercado audiovisual, Branchieri citou a produção do filme Dark Horse, focado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A iniciativa do longa pertence ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura, contando com a direção de Cyrus Nowrasteh e a atuação do ator norte-americano Jim Caviezel no papel principal.

A produção, contudo, entrou no radar da Polícia Federal em setembro, quando agentes cumpriram mandados em uma operação voltada a apurar supostos desvios em emendas parlamentares destinadas ao projeto. Tanto Frias quanto a produtora negaram irregularidades, pontuando que os valores receberam aplicação estritamente social.

Nova estratégia para os conservadores Nas considerações finais do registro em vídeo, Branchieri destacou a urgência de uma guinada tática pelos partidos de direita, que precisariam abandonar a exclusividade dos debates econômicos e eleitorais.

“A direita precisa entrar no jogo da cultura”, declarou. “Formar professores com coragem, produzir filmes, escrever livros que não sejam panfletos, ocupar a universidade, usar as redes sociais com inteligência.”

Ao resgatar o legado do escritor Olavo de Carvalho, o deputado reforçou que o sucesso na política depende diretamente da habilidade em moldar a percepção pública da realidade.

“A guerra nunca foi só política ou econômica”, salientou. “É uma disputa pela alma do povo, pelo domínio da narrativa.”

O parlamentar concluiu o pronunciamento alertando que os conservadores continuarão acumulando derrotas nas urnas caso não concedam à esfera cultural a mesma relevância estratégica tradicionalmente atribuída aos números da economia.

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