O segundo turno das eleições presidenciais em Minas Gerais foi marcado por uma virada expressiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), além de uma redução significativa na taxa de abstenção e de ocorrências ligadas às fortes chuvas que atingiram o território mineiro.
Lula garantiu a vitória no estado com 50,43% dos votos válidos, somando 6.351.099 apoios, enquanto seu adversário obteve 49,57%, o equivalente a 6.241.786 sufrágios. A diferença final entre os dois concorrentes foi de apenas 109.313 votos, mobilizando mais de 13 milhões de eleitores mineiros, ao passo que aproximadamente 3,3 milhões optaram por não comparecer.
A dinâmica da votação nas maiores cidades Apesar do resultado global favorável ao atual presidente, o candidato do PL obteve a preferência da maioria do eleitorado em oito das dez principais cidades do estado: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares e Ipatinga.
Em contrapartida, Lula triunfou em Juiz de Fora, na Zona da Mata, angariando 57,66% dos votos válidos, e em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana da capital, onde alcançou 52,27%. Na disputa específica de Belo Horizonte, Flávio Bolsonaro terminou na frente com 50,80%, mas viu sua vantagem minguar drasticamente de quase 99 mil votos no primeiro turno para pouco mais de 24 mil na etapa decisiva.
Participação popular e queda na abstenção Os dados oficiais da Justiça Eleitoral apontam que a abstenção em terras mineiras recuou 10,9% entre uma votação e outra. O quantitativo de cidadãos ausentes caiu de 3.735.098 para 3.327.941, representando uma diminuição de 407.157 faltosos.
Percentualmente, o índice de abstenção oscilou de 22,81% para 20,33%. Analistas ouvidos pela emissora local atribuíram essa maior adesão à mobilização de faixas etárias específicas, como jovens e idosos, somada ao forte engajamento político verificado nas plataformas digitais.
Operação das urnas e intempéries climáticas O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais classificou o pleito como tranquilo, registrando a substituição de 140 urnas eletrônicas, o que corresponde a 0,27% das 52.062 seções do estado. No primeiro turno, esse número havia sido de 171 trocas.
O domingo de votação também foi impactado por temporais na Grande BH. A Defesa Civil emitiu alertas severos de enxurradas, alagamentos e possibilidade de granizo. Conforme o balanço divulgado pelo TRE-MG, 349 locais de votação sofreram quedas de energia elétrica, mas os equipamentos seguiram operando normalmente graças às baterias internas.
Ocorrências policiais e votação estendida A segurança pública contabilizou 127 ocorrências até as 21h do domingo, majoritariamente motivadas por tentativas de burlar o sigilo do voto e por propaganda irregular do tipo boca de urna, resultando na condução de 52 pessoas às delegacias.
Uma decisão judicial do Supremo Tribunal Federal prorrogou o horário de votação, gerando o fechamento prematuro de urnas em algumas escolas antes que a orientação fosse repassada. No total, o estado computou 2.253 votos após as 17h.
Por fim, o Ministério Público do Trabalho fechou o pleito com o registro de 212 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho em Minas Gerais, colocando o estado na segunda posição nacional nesse ranking negativo, com investigações em andamento em municípios como Belo Horizonte e Bom Despacho.






