O clássico episódio conhecido como a Noite dos OVNIs, que há quatro décadas exigiu a mobilização de caças da Força Aérea Brasileira em São José dos Campos, interior paulista, é um dos destaques de “Arquivos do Céu”, nova produção documental lançada pelo Globoplay.
Estrutura e novidades da produção Dividida em cinco episódios, a obra revisita momentos marcantes da ufologia nacional e internacional. Entre os destaques está o testemunho inédito de um controlador de voo que acompanhou os eventos e decidiu quebrar o silêncio após 40 anos, além do caso de um fotógrafo cujos negativos teriam sido levados para os Estados Unidos de forma misteriosa.
O diretor Caio Cavechini explicou ao g1 os desafios de estruturar a narrativa. “As histórias de avistamentos são preciosas, merecem ser contadas. Seus detalhes são ricos, ainda que muitas vezes não comprováveis. Cruzamos relatos, buscamos relações e aproximações com outros casos e outras hipóteses”, afirma Cavechini.
Ele também pontuou a escolha criativa para a condução dos episódios e a diversidade de fontes ouvidas pela equipe de jornalismo e documentário. “E nos apoiamos em um narrador diferente, o Lulu Santos, dono de uma voz capaz de transitar entre o mistério, a filosofia e o humor leve. Nossa aposta foi por criar um documentário diverso e surpreendente, abarcando os ufólogos, os cientistas, as testemunhas e muitos mais”, conta.
O contexto histórico de 1986 O episódio original ocorreu em 19. de maio de 1986, quando cerca de 21 objetos voadores não identificados foram avistados cruzando os céus de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. A situação levou a FAB a despachar cinco caças para interceptação, embora os alvos realizassem manobras em velocidade extrema e sumissem dos radares sem que pudessem ser alcançados.
A ocorrência começou na torre do Aeroporto de São José dos Campos, após o operador avistar pontos luminosos coloridos, relato corroborado pelo piloto Alcir Pereira. Outra figura de peso envolvida foi o engenheiro aeronáutico Ozires Silva, então presidente da Petrobras, que avistou luzes acompanhando seu voo executivo entre Brasília e o interior paulista.
Anos mais tarde, em 2009, documentos oficiais da Aeronáutica e do Ministério da Justiça tornaram-se públicos, incluindo um relatório do brigadeiro José Pessoa Cavalcanti Albuquerque que concluiu que os fenômenos “são sólidos e refletem de certa forma inteligência”.
Abordagem investigativa Para o comando criativo da série, o objetivo principal foi equilibrar o ceticismo acadêmico com a escuta atenta dos relatos populares, sem adotar posturas preconceituosas diante dos episódios relatados. “A ufologia tem grande resistência por parte dos cientistas. E mesmo assim é um campo bastante popular, tanto pelos mais entusiastas, quanto pelos curiosos. E o nosso desafio era aproximar esses dois campos, incluindo argumentos e narrativas de ambos os lados”, explica.
Cavechini reforça que a busca por respostas permeia inclusive o meio científico. “É preciso dizer que mesmo os cientistas mais céticos narram episódios de avistamento que não conseguem explicar. Então fomos a campo ouvir, sem julgamentos”, diz.
Outros enigmas abordados Além do caso paulista, a obra audiovisual explora a célebre Operação Prato, conduzida no Pará para investigar luzes e supostos ataques a moradores locais, ampliando o escopo para outras investigações de caráter ufológico.
O primeiro capítulo foi disponibilizado gratuitamente na plataforma para não assinantes. Ao final do processo de pesquisa, o diretor ressaltou a permanência das memórias na mente de quem testemunhou os fatos: “Mesmo décadas depois de terem presenciado esses fenômenos misteriosos, as pessoas continuam se lembrando, com riqueza de detalhes, de tudo o o que viveram. E isso não é exclusividade de quem está no documentário. Mesmo pessoas com quem conversamos informalmente, durante a produção, ainda guardam essas memórias. Inclusive o Lulu Santos”, conclui o diretor.






