A Binance anunciou no sábado, 31, que conseguiu reaver 90% dos US$ 6,3 bilhões em moedas digitais subtraídos durante uma invasão cibernética recente. De acordo com a empresa, os 10% restantes referem-se a ativos com baixa liquidez, cuja recuperação completa poderá demandar um prazo maior.
Estratégia financeira e recursos próprios
Para solucionar o problema rapidamente, a maior corretora de criptomoedas do mundo separou mais de US$ 6,34 bilhões do próprio caixa para resguardar os usuários. O co-CEO da companhia, Richard Teng, declarou que “US$ 5 bilhões já estão disponíveis nas mesmas criptomoedas atingidas pelo ataque, entre elas USDC, USDT, bitcoin, ethereum e BNB”.
Em um pronunciamento em vídeo divulgado na sexta-feira, 30, o executivo detalhou que a organização aplicou patrimônio corporativo para sanar o rombo. Antes disso, a plataforma havia efetuado o congelamento inicial de US$ 2,54 bilhões na quinta-feira, quantia que subiu posteriormente para US$ 3 bilhões.
Investigação e autoria do crime
O FBI responsabilizou o TraderTraitor, coletivo cibercriminal ligado ao governo da Coreia do Norte, pelo ataque. Conforme a autoridade policial norte-americana, os criminosos transformaram parte do montante em ethereum, e novas tentativas de lavagem de dinheiro com ferramentas tecnológicas avançadas não estão descartadas.
Especialistas do mercado também corroboraram a ligação com Pyongyang. Com um prejuízo estimado em US$ 6,3 bilhões, o episódio supera o hack contra a Bybit em fevereiro de 2025, quando criminosos desviaram US$ 1,5 bilhão, tornando-se possivelmente o maior furto da história do setor.
Falha de segurança e impactos no mercado
A auditoria preliminar conduzida pela empresa apontou a provável falha explorada pelos invasores: um computador portátil de um engenheiro de DevOps. Valendo-se dessa máquina, o agente mal-intencionado invadiu um contêiner de serviços e realizou retiradas não autorizadas.
Enquanto isso, os saques na exchange permaneceram paralisados, com previsão de normalização dos serviços em aproximadamente 34 horas, apontando para as 3h de domingo, 1º, no horário de Brasília. O incidente gerou desvalorização nos preços dos criptoativos, ao passo que emissores de stablecoins, como Tether, Circle e World Liberty Financial — empreendimento dos filhos de Donald Trump —, travaram cerca de metade dos recursos levados em tempo recorde.






