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Crm do paraná repudia ataques nazistas de estudantes de medicina

'Ferem diretamente o Código de Ética do Estudante de Medicina', diz CRM do Paraná sobre alunos que atacaram bolsistas e fizeram alusão ao nazismo

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) declarou que vai acompanhar de perto e “adotará todas as providências cabíveis” diante de mensagens com ataques a estudantes bolsistas e referências ao nazismo compartilhadas em um grupo de WhatsApp de uma turma de Medicina em Maringá, no Norte do estado. O material começou a circular após o resultado das Eleições de 2026, que confirmaram a reeleição de Lula para a presidência do país.

Posicionamento do conselho e regras violadas

De acordo com o órgão regulador, a conduta dos universitários viola preceitos fundamentais da profissão ainda na fase acadêmica.

Segundo o CRM, as atitudes dos estudantes ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina, “segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza”, diz a nota da instituição.

O conselho acrescentou ainda que “Tais atitudes ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica. O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes”.

Punições aplicadas pela faculdade

A UniCesumar, centro universitário onde os envolvidos cursam a graduação, informou que concluiu a sindicância interna sobre o episódio. A instituição pontuou que as conversas ocorreram fora dos canais oficiais e destacou que aplicou sanções como expulsões, suspensões e advertências, “de acordo com a gravidade das condutas”.

Apesar de confirmar o encerramento das investigações internas, a diretoria optou por não detalhar a quantidade exata de alunos punidos em cada categoria. Por meio de comunicado oficial, a faculdade ressaltou que “A UniCesumar comunica que concluiu no dia 30 de outubro a Sindicância Interna aberta para apuração dos fatos envolvendo mensagens trocadas em grupo de WhatsApp por alunos da Instituição. A Comissão de Sindicância recomendou e a Reitoria da Unicesumar decidiu pela aplicação de medidas disciplinares em relação aos alunos envolvidos, nos termos do Regimento Interno da universidade. As medidas disciplinares foram: desligamentos do quadro discente da Instituição, advertências e suspensões, de acordo com a gravidade de cada conduta apurada. A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação de seus estudantes. A Instituição repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito. O Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte, nos contatos (44) 99122-3957 ou (44) 3027-6360 ramal 2870”.

Conteúdo das mensagens e denúncia federal

Nas conversas reveladas, datadas do final de outubro, um dos alunos tentou estabelecer uma hierarquia financeira baseada na forma de ingresso na universidade. Um dos participantes argumentou: “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”.

Além da distinção socioeconômica, o grupo registrou a propagação de ideologia extremista. Entre os arquivos compartilhados, constava uma imagem do exército nazista atrelada ao termo “leite cru”, jargão associado a coletivos virtuais de apologia à supremacia branca.

Em contrapartida, outros acadêmicos repreenderam as falas preconceituosas. Uma aluna ponderou que “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade, como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional para exercer a medicina]”.

Estudantes da própria instituição formalizaram uma denúncia junto ao Ministério Público Federal (MPF), que confirmou a recepção do material e já conduz apurações sobre o caso.

Clima de tensão no campus

Alunos relataram que o ambiente acadêmico se transformou após a repercussão das postagens, gerando forte retração na frequência das aulas tanto para os envolvidos nas ofensas quanto para os alvos dos ataques.

“É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”, relatou um estudante sob condição de anonimato.

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