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França tem novos protestos contra inflação e mais de 290 prisões

França tem novos protestos contra custo de vida, com confrontos e mais de 290 presos

As ruas francesas voltaram a ser tomadas por centenas de milhares de pessoas neste sábado (31), marcando o terceiro fim de semana consecutivo de mobilizações contra a alta nos preços e o custo de vida. A onda de protestos resultou em focos de conflito e confrontos diretos em diferentes regiões do país europeu, a apenas seis meses da próxima eleição presidencial.

Esquema de segurança e estimativas de público

Diante de repetidos apelos à “revolução” e à “insurreição” compartilhados nas redes sociais, o governo francês posicionou 70 mil agentes de segurança nas ruas. As estimativas oficiais apontam 320 mil manifestantes em todo o território nacional, com 70 mil apenas em Paris. Em contrapartida, a coalizão sindical da juventude calculou cerca de 500 mil participantes no total, sendo 200 mil na capital. No sábado anterior, os registros oficiais contabilizavam 410 mil pessoas, enquanto os organizadores falavam em 800 mil.

Ampliação das pautas e atos em outros países

A mobilização inicial, organizada por ativistas dos “coletes amarelos”, sindicatos, além de estudantes secundaristas e universitários, focava no custo de vida, na desigualdade econômica e nas condições precárias de ensino. Recentemente, o movimento incorporou repúdios ao racismo, motivados por um atentado cometido em 23 de outubro na região parisiense que resultou em uma morte e sete feridos. A onda de protestos juvenis também se estendeu pela Europa, com atos na Alemanha onde a polícia usou canhões de água.

Em Nantes, a manifestação reuniu vozes ativas como a de Camille Guérin, de 31 anos, que resumiu o sentimento geral: “Dizemos não ao custo de vida, não à extrema direita, sim às reivindicações dos estudantes secundaristas, sim à voz dos cidadãos”.

Confrontos e detenções em várias cidades

Na capital francesa, a marcha ocorreu sob sol forte e seguiu exclusivamente pelo trajeto determinado pela polícia nos bairros residenciais da zona leste, com manifestantes exibindo cartazes sobre o “alerta climático e pelo custo de vida”. No encerramento do ato, no entanto, houve quebra-quebra com paralelepípedos arremessados contra policiais e ao menos um artefato incendiário lançado, o que levou a tropa a responder com gás lacrimogêneo.

Conflitos análogos ocorreram no fim do dia em cidades como Lyon, Marselha, Rennes e Toulouse. O balanço oficial do governo contabilizou mais de 290 detidos. O aparato de segurança foi reforçado para evitar o retorno do caos observado em 17 de outubro, data em que houve saques a lojas, incêndios em prédios públicos e confrontos generalizados durante atos que reuniram entre 550 mil e 800 mil pessoas.

Críticas à restrição de circulação e ‘deriva autoritária’

A proibição de protestos nos centros urbanos gerou revolta entre os cidadãos. Em Toulouse, onde nenhum ato foi autorizado, a moradora Eloïse, de 35 anos, manifestou preocupação: “Tenho medo de ver o que está acontecendo nesta democracia francesa. Está sendo instaurado um Estado policial”.

Antes de marchar em Paris, o líder da esquerda radical e candidato à presidência para o pleito de abril e maio de 2027, Jean-Luc Mélenchon, utilizou uma rede social para acusar a gestão atual de promover uma “deriva autoritária”.

Fechamento de estações e toques de recolher

O clima de tensão em Paris provocou o fechamento de dezenas de estações de metrô e fez com que comerciantes blindassem vitrines com painéis de madeira. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, fez um alerta prévio: “O pretexto da noite de Halloween não será motivo legítimo para ocultar o rosto em espaços públicos” com o objetivo de “perturbar a ordem”. Embora a lei francesa permita o uso de máscaras festivas, o adereço é vetado nas imediações de atos públicos. Toques de recolher foram estabelecidos para as noites de sábado e domingo em pontos específicos da capital, medida já aplicada em outras localidades nos últimos dias.

Para os próximos dias, o movimento planeja novos atos, com duas organizações convocando bloqueios em escolas e universidades na terça e quinta-feira. Uma greve geral está agendada para a próxima quinta, e os “coletes amarelos” articulam um novo ato popular para os dias 6 e 7 de novembro.

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