Entender a conexão entre uma obra literária e seu cenário histórico, além de decifrar como a linguagem molda significados, é fundamental na rotina de estudos para o Exeme Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. A recomendação é do educador Phernando Romualdo, que leciona Literatura no Colégio Nacional, ao sugerir uma análise profunda focada nos elementos sociais, políticos e humanos das criações artísticas.
A exigência da prova de linguagens
De acordo com o docente, o exame cobra do candidato a capacidade não apenas de interpretar o material apresentado, mas também de identificar as conexões intrínsecas entre o conteúdo e a estrutura textual. Dominar o panorama de autores e escolas literárias facilita essa tarefa quando o conhecimento é aplicado diretamente ao fragmento em questão.
“O exame busca avaliar a sensibilidade crítica do estudante, exigindo que ele compreenda o texto literário como um produto vivo do seu tempo, capaz de dialogar com os dilemas sociais, políticos e humanos de diferentes épocas”, explica.
As três diretrizes da matriz de referência
O professor divide a preparação com base em três exigências específicas da competência de área 5 da Matriz de Referência de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, estruturando o aprendizado em torno do contexto de criação, dos recursos estilísticos e dos valores abordados.
Enquanto a Habilidade 15 foca nos determinantes históricos e políticos que moldam a elaboração e recepção das obras, a Habilidade 16 direciona o olhar para os recursos estéticos, procedimentos construtivos, figuras de linguagem e marcas de gêneros textuais. Já a Habilidade 17 examina os valores humanos e sociais presentes na herança literária do país, conectando temas antigos a debates atuais.
Diferenças estéticas e a relação com a história
Outro ponto central na rotina de preparação envolve assimilar as divergências entre correntes como Romantismo, Realismo, Naturalismo e Modernismo, relacionando suas propostas conceituais à prática de leitura. Romances naturalistas focados no determinismo e poemas modernistas que utilizam a ironia ilustram como a união entre forma e conteúdo revela o propósito da escrita.
“Observe como a literatura denuncia desigualdades, reflete identidades ou dialoga com a história do Brasil e do mundo”, orienta.
Análise de recursos formais
Elementos estruturais como versos livres, rimas, pontuação diferenciada e metáforas exigem atenção redobrada, pois geram efeitos de sentido específicos que reforçam a intenção comunicativa do autor.
“Perceba como a escolha formal potencializa a mensagem do autor”, recomenda.
Para treinar essas competências, a recomendação é praticar com crônicas, poemas variados e trechos complexos, avaliando o tom adotado pelo narrador.
Formação humana além da nota
Por fim, o estudo literário ultrapassa a barreira da preparação para exames, servindo como ferramenta essencial para o desenvolvimento pessoal e social do estudante.
“Mais do que decifrar códigos de prova, estudar literatura para o Enem é um convite para alargar horizontes, exercitar a empatia e compreender criticamente o mundo em que vivemos”, conclui.






