A severa estiagem que atinge o Acre resultou na paralisação do fornecimento de água potável para a comunidade do Panorama, situada na zona rural de Rio Branco. Cerca de sete mil famílias que dependiam exclusivamente do suporte prestado por carros-pipa enfrentam dificuldades severas devido à interrupção do serviço municipal.
Problemas burocráticos agravam a crise
A Defesa Civil Municipal reconheceu que a suspensão temporária ocorreu em decorrência de entraves administrativos. A prefeitura da capital não respondeu aos questionamentos sobre o cronograma de retomada das ações da Operação Estiagem até o fechamento desta reportagem. Além da burocracia, a alta procura por veículos de transporte hídrico dificulta a contratação de novos caminhões para atender a região afetada.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou a situação:
“Por um problema administrativo, tivemos que fazer a suspensão momentânea dessa operação e informamos tudo ao gabinete do prefeito, à Secretaria de Articulação e estamos aguardando uma resposta do gabinete para tomar decisões mais efetivas”
O militar também pontuou as barreiras logísticas enfrentadas pelo órgão:
“Nós temos um plano de trabalho que foi encaminhado para o governo federal, que preconiza a alocação de caminhões. Nós estamos com muita dificuldade em alocar caminhões devido à alta demanda. Então, estamos também esperando por essa solução e entendemos, inclusive, toda a necessidade da comunidade”
Impacto direto no cotidiano das famílias
Moradores relatam que a escassez se agravou nas últimas semanas, ultrapassando o período tradicional de seca na região. A falta de poços artesianos profundos e estruturados nas residências de baixa renda deixa a população vulnerável à total falta de recursos hídricos.
O presidente da associação de moradores do bairro Panorama, Armando dos Santos, detalhou a gravidade do cenário:
“Esse ano foi meio atípico. Todos os anos ela se estende até final de novembro, muitas vezes até dezembro e há 15 dias ela [o abastecimento de água] foi suspensa. Temos um problema muito sério de posto de captação através do solo, porque os poços aqui tem que ser bastante fundo e muitos são cavados a 6 metros e começam a esbarrancar. As famílias, por serem carentes, não tem como pavimentar esse poço e fica à mercê da sorte, faltou água não tem como procurar água mais funda”
Com o alto valor cobrado pela água comercializada em galões, o orçamento doméstico foi sufocado, gerando impactos diretos na rotina e na alimentação básica, conforme reforçou o representante comunitário:
“Alunos saindo sem tomar banho, comida não sendo feita por falta de água e crianças com dificuldade para consumir essa água para realmente matar sua sede. Hoje, um galão de água está custando aqui R$ 8. Então, as famílias não tem nem condição de comprar o ovo para comer, como é que vai comprar água”
Auxílio federal e estadual em andamento
Para mitigar a crise em todo o estado, o governo federal liberou mais de R$ 19 milhões divididos em 15 planos de trabalho, contemplando 14 municípios que tiveram a situação de emergência reconhecida. Os 22 municípios acreanos estão sob decreto de emergência por causa da estiagem severa.
O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, detalhou o andamento da aplicação das verbas:
“No sentido de aquisição, de solicitação, por meio de planos de trabalho, de recursos complementares do governo federal para fortalecer as ações que já estavam em andamento. Houve o reconhecimento federal, a liberação desses recursos, o montante de um pouco mais de R$ 19 milhões em 15 planos de trabalho do estado, de mais de 14 municípios aqui do estado, e esses recursos já estão liberados. A fase agora é de executar esses recursos, fazer a aquisição desses insumos para entregar para aquelas populações mais afetadas”
Enquanto os recursos federais são aplicados, o estado segue distribuindo mantimentos e suprimentos essenciais para as parcelas mais vulneráveis da população afetada, incluindo comunidades indígenas, extrativistas, ribeirinhos e pequenos produtores rurais cadastrados em programas sociais.
O coronel Carlos Batista concluiu sobre a assistência prestada:
“Recentemente o estado entregou mais de 4 mil cestas básicas para os municípios entregarem para aquelas famílias que estão sendo mais impactadas. As comunidades mais afetadas são as extrativistas, as comunidades indígenas, os ribeirinhos e os pequenos produtores rurais. Então, são essas comunidades e aquelas pessoas que também são do CadÚnico, pessoas bem vulneráveis, todas elas estão sendo assistidas”






