A vida da aposentada Christine mudou drasticamente após a implementação de cortes federais nos programas de assistência social nos Estados Unidos. Aos 67 anos, ela precisa recorrer mensalmente a uma ação de caridade no Arizona para conseguir colocar comida em casa, tendo perdido o benefício do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) no início do ano.
Situação financeira e inflação Metade de sua modesta aposentadoria é destinada ao pagamento do aluguel, enquanto a alta dos preços e a crise internacional tornam sua sobrevivência ainda mais complexa.
“Está tudo tão difícil”, lamentou a mulher de 67 anos. Ela não revela o sobrenome para evitar que as crianças de 9 e 13 anos sob seus cuidados descubram como consegue colocar comida em casa.
“Eles não se importam com a gente”, disse Christine, com lágrimas nos olhos. “O governo Trump não se preocupa com o povo”.
Impacto nas urnas e no Arizona O estado do Arizona figura entre os locais mais atingidos pela medida, acumulando mais de 465 mil beneficiários afetados, incluindo 200 mil crianças que perderam o acesso aos subsídios. Esse cenário de forte descontentamento popular tem potencial direto sobre o resultado das eleições legislativas de 3 de novembro, conhecidas como eleições de meio de mandato, colocando em risco a maioria republicana na Câmara dos Representantes.
“Muita gente está chateada”, afirmou Natalie Jayroe, responsável pelo Banco Comunitário de Alimentos do sul do Arizona. “Inclusive pessoas que votaram no governo Trump”.
“Se essas pessoas forem votar, podem fazer a diferença aqui no Arizona”, disse Jayroe. “Mas a questão é: elas vão votar?”.
Reação dos eleitores e candidatos O descontentamento atinge diversos perfis de moradores, incluindo veteranos militares como Óscar Ochoa, de 65 anos, que foi forçado a retornar ao mercado de trabalho como motorista de ônibus e votou nos democratas.
Ochoa afirma que a lei orçamentária beneficiou principalmente os mais ricos, ao prever reduções de impostos para bilionários.
“Não beneficiou os pobres nem o americano médio”, disse.
Na corrida eleitoral, o candidato republicano Juan Ciscomani tenta se distanciar da imagem da atual gestão para garantir a reeleição, assegurando que não será “marionete de ninguém”. Em contrapartida, a campanha da democrata Joanna Mendoza foca na defesa do custo de vida.
Entre a população, o sentimento de revolta se multiplica com relatos de burocracia e escassez, como o da recepcionista Angélica Garcia, de 45 anos, cujas filhas precisaram sobreviver à base de arroz, feijão e macarrão durante a demora na análise de seu auxílio.
“Ele é um mentiroso”, afirmou Angélica Garcia, de 45 anos, que trabalha como recepcionista.
“Sinto que o governo Trump tornou as coisas mais difíceis para as pessoas”, disse.
A onda de insatisfação transformou eleitores antes distantes da política em ativistas locais, dispostos a mobilizar suas comunidades para o pleito de novembro.
“Temos que fazer valer a nossa voz”, afirmou.






