O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, utilizou a analogia de uma transação imobiliária para defender a legalidade de operações bilionárias de crédito com o Banco de Brasília (BRB) durante depoimento prestado à Polícia Federal no dia 15 de outubro de 2026.
Repasses sob suspeita da PF A investigação aponta que o BRB transferiu aproximadamente R$ 12,2 bilhões ao Banco Master por meio de cessões de crédito realizadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025. Os repasses de recursos públicos ocorreram mesmo diante de alertas formais, relatórios de risco elaborados por equipes técnicas e pareceres contrários.
Questionado acerca da suposta comercialização de carteiras de crédito deficitárias, conhecidas como “podres”, o executivo recorreu ao exemplo de um contrato de promessa de compra e venda para explicar o andamento das negociações financeiras.
A defesa da analogia imobiliária Conforme a argumentação apresentada à autoridade policial, um interessado em adquirir um imóvel pode assinar um instrumento particular e realizar depósitos para assegurar o negócio, embora a efetiva transferência de propriedade dependa da verificação de documentos e da lavratura da escritura pública. Caso houvesse entraves, o comprador teria o direito de desistir do bem e direcionar os valores para outra finalidade.
“Deixa eu fazer uma analogia, pra ver se fica mais fácil. Tem uma casa aqui, a gente vai fazer um contrato de promessa de compra e venda para comprar a casa”, afirmou Vorcaro durante o depoimento.
O empresário sustentou que o entendimento adotado com a instituição financeira seguiu o mesmo princípio, argumentando que os ativos inicialmente debatidos foram substituídos após a identificação de problemas na documentação comprobatória.
Contraponto dos investigadores Em contrapartida, a delegada responsável pelo caso refutou a comparação. De acordo com os levantamentos da Polícia Federal, as carteiras foram devidamente integradas ao sistema do Banco Master, registradas e transacionadas com o BRB, independentemente de eventuais trocas posteriores.
Os agentes também apontaram falhas na comprovação documental dos créditos e questionaram os métodos empregados para formalizar as movimentações financeiras.
Por fim, o executivo admitiu a existência inicial de falhas documentais, mas assegurou que elas foram devidamente saneadas, ponderando que cabe apurar se o BRB efetivamente sofreu algum prejuízo financeiro com os ativos substitutos.
“Faltaram documentos e aí a gente foi pra assinar a escritura, e a senhora fala: ‘Eu não quero comprar a casa mais. Eu não quero porque não tem documento, vou desfazer’. E eu deixei comprar um carro seu, que é um carro que tem o documento de 20. Devolveu o dinheiro, você foi lá e comprou o carro. A transação da casa aconteceu? É a mesma coisa que a gente tá discutindo”, finalizou Vorcaro.
O conteúdo audiovisual com o depoimento, que possui 1 minuto e 51 segundos de duração, foi tornado público e remetido ao Supremo Tribunal Federal.






