O governo brasileiro se prepara para os desafios globais do quarto mandato apostando no pragmatismo na diplomacia para gerenciar relações complexas com os Estados Unidos de Donald Trump e contornar os atritos com a Argentina de Javier Milei.
Desafios nas relações com Washington
A condução diplomática com os Estados Unidos exigirá atenção no próximo período. Entre novembro e dezembro, o país participa de encontros estratégicos como a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), o G20 e o Mercosul. As eleições legislativas americanas e a permanência de Donald Trump na Casa Branca moldarão o cenário para futuras negociações comerciais e tarifas.
O episódio envolvendo a ida do senador Flávio Bolsonaro para solo norte-americano adicionou novos ingredientes ao tabuleiro político. O governo dos EUA concedeu visto humanitário e autorizou a entrada do político e de seus familiares, após o uso de passaportes que haviam sido cancelados pela Polícia Federal. Washington informou que Trump não pretende se envolver nas acusações sem provas feitas pelo senador sobre a disputa eleitoral brasileira. O TSE confirmou a vitória de Lula e afirmou que a votação ocorreu com segurança e transparência.
Apesar dos atritos e da decisão do Brasil de ficar de fora do Escudo das Américas por avaliar que a iniciativa carece de um projeto mais amplo e tem forte caráter ideológico, o Executivo brasileiro busca manter acordos de cooperação bilateral no combate ao narcotráfico.
Expansão comercial na Ásia e cautela com a Argentina
Na frente asiática, o governo planeja fortalecer sua presença por meio da participação na Asean para diversificar mercados e reduzir a dependência comercial em relação a potências tradicionais, mantendo os laços com a China.
Já em relação à Argentina, a retomada do diálogo presidencial está condicionada a uma mudança de postura de Javier Milei. A passagem de Flávio Bolsonaro pela fronteira argentina gerou repercussão e cobranças de parlamentares locais, mas os canais diplomáticos e comerciais continuam abertos no âmbito do Mercosul.
Cooperação regional e segurança pública
A diplomacia brasileira avalia que há excelente espaço para articular ações conjuntas com vizinhos sul-americanos, como Peru, Bolívia e Chile. Países da região mantêm interesse em uma relação pragmática com o Brasil diante de dúvidas sobre o que o governo americano pode oferecer.
Para reforçar o combate ao crime organizado transnacional, o plano envolve ampliar a atuação baseada na inteligência da Polícia Federal, utilizando estruturas como a Interpol, centros na Amazônia e no Rio de Janeiro, além de estudar a criação de uma nova base em Buenos Aires.






