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Eleições em Israel e nos EUA moldam os rumos da geopolítica global

Por que as eleições nos EUA e em Israel têm consequências globais

A coincidência no calendário eleitoral de duas nações separadas por cerca de 9.600 quilômetros coloca o planeta em estado de atenção. Com poucos dias de intervalo, milhões de cidadãos de Israel e dos Estados Unidos participam de votações que prometem redesenhar o tabuleiro geopolítico internacional.

A conexão entre os pleitos Embora o célebre político americano Tip O’Neill tenha eternizado a frase “toda política é local”, a realidade atual demonstra que os desdobramentos dessas urnas ultrapassam fronteiras. O futuro governo israelense e a nova configuração do Congresso americano possuem uma ligação direta e capacidade de interferir tanto nas guerras em curso quanto na economia do planeta.

Um dos pontos de contato mais claros é a atuação de grupos organizados. O Republicans Overseas Israel estima que aproximadamente 500 mil israelenses detentores de passaporte americano estejam aptos a votar em ambos os países, exercendo forte peso em disputas apertadas, a exemplo da corrida ao Senado em Michigan. “Eles realmente podem fazer a diferença”, disse Zell em entrevista à BBC.

A questão iraniana e o fator político A segurança regional e o confronto com Teerã centralizam os debates. Desde fevereiro, a campanha militar conjunta causou danos expressivos à infraestrutura e à liderança do Irã, mas esbarrou na reação do regime, que assumiu o controle do estreito de Ormuz e estrangulou o fluxo de combustíveis.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu utilizou o cenário de conflito para tentar fortalecer sua imagem de liderança, abalada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Diante de pressões internas e de investigações pendentes, a possibilidade de novas ofensivas militares é vista por críticos como uma manobra para garantir sua sobrevivência política.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump oscila entre apoiar ações enérgicas e frear investidas antes da votação, temendo que o encarecimento da energia lembre a população de conflitos impopulares. Analistas indicam que, encerrado o período eleitoral, o foco mudará. “Depois das eleições de meio de mandato, ele estará concentrado em seu legado”, disse à reportagem um diplomata ocidental bem posicionado. “Ele vai querer demonstrar capacidade de agir em qualquer questão que não seja o atoleiro político interno.”

Impactos na economia global O custo de vida e o poder de compra dominaram os debates em solo americano, agravados pela alta nos preços da energia decorrente da restrição no estreito de Ormuz. Em Israel, a pressão inflacionária soma-se ao salto nos gastos com defesa, tensionando as contas públicas.

As decisões tomadas nas urnas e os desdobramentos militares também começam a alterar alianças tradicionais. Enquanto o apoio bipartidário a Israel sofre contestações internas em alas progressistas dos partidos, a incerteza sobre a continuidade dos governos atuais adiciona volatilidade aos mercados e à estabilidade internacional, deixando autoridades de todo o mundo à espera dos resultados definitivos.

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