As contas das empresas estatais federais acumularam um saldo negativo de R$ 8,5 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (31). O valor representa que as despesas dessas companhias superaram as receitas geradas no período, configurando o pior desempenho para os nove primeiros meses do ano desde o início da série histórica do órgão, em 2002.
Como o cálculo é feito pelo Banco Central Para a elaboração desse levantamento, o Banco Central desconsidera a Petrobras, a Eletrobras e as instituições do setor financeiro, como os bancos públicos. A metodologia exclui Petrobras e Eletrobras desde 2009, com revisão retroativa de toda a série a partir de 2002.
O grupo monitorado engloba companhias como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. Enquanto o governo federal costuma utilizar o modelo tradicional de receitas menos despesas, o BC adota o critério de variação da dívida, padrão amplamente empregado em avaliações fiscais internacionais.
Projeções e alertas fiscais No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 enviado ao Congresso Nacional em abril, o governo federal reconheceu que as estatais, deficitárias desde 2023, devem permanecer no vermelho até 2030.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, destacou em seu Relatório de Acompanhamento Fiscal de julho que os números demonstram uma “deterioração perceptível” na saúde financeira de “parte relevante” das empresas estatais federais, elevando os riscos para o Tesouro Nacional. O órgão ressaltou que “essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal”.
Impacto da crise nos Correios O cenário desfavorável é impulsionado de forma expressiva pelos Correios, que enfrentam uma crise financeira e acumulam 15 trimestres consecutivos de prejuízo, incluindo R$ 5,6 bilhões negativos apenas no primeiro semestre deste ano.
Para tentar reverter o quadro, a administração federal permitiu em maio que a empresa postal passe a comercializar seguros, títulos de capitalização e atue no setor de telefonia por meio de parcerias com instituições financeiras. Segundo o Ministério da Gestão, a estatal segue implementando estratégias voltadas à reestruturação e ao reequilíbrio de suas contas.






