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Entenda por que o mesmo diagnóstico de autismo exige cuidados diferentes

Autismo: por que o mesmo diagnóstico pode exigir cuidados diferentes?

O diagnóstico de transtorno do espectro autista é totalmente clínico e fundamentado nos parâmetros do manual DSM-5-TR, sem envolver a biologia do indivíduo. No entanto, a ciência demonstra que a história orgânica das pessoas autistas é complexa e envolve múltiplos fatores, o que transforma a forma como a medicina aborda o cuidado e a compreensão da condição.

A diversidade de sintomas no espectro

Ao analisar crianças que recebem o mesmo diagnóstico médico, é comum observar diferentes combinações de sinais. Embora todas apresentem dificuldades na comunicação social e padrões repetitivos em variadas intensidades, os quadros clínicos podem divergir profundamente no dia a dia.

Enquanto um paciente lida com distúrbios do sono, alterações nutricionais e problemas gastrointestinais marcantes, outro pode manifestar epilepsia, regressão no desenvolvimento e suspeita de alterações metabólicas. Há ainda um terceiro grupo que não exibe nenhuma dessas comorbidades associadas, mesmo compartilhando exatamente o mesmo laudo clínico inicial.

O papel do DSM-5-TR na avaliação

O manual diagnóstico estabelece critérios baseados estritamente na observação comportamental e na história evolutiva do paciente, focando na interação social e em condutas restritas. Trata-se de um modelo interpretativo que carece de confirmação biológica direta, pois não existe nenhum exame laboratorial, teste genético ou ressonância magnética capaz de isolar o quadro sozinho.

Portanto, o manual cumpre a função indispensável de organizar o fenótipo comportamental, mas descrever o comportamento é diferente de mapear os mecanismos orgânicos envolvidos. É exatamente nesse espaço que residem os grandes debates da ciência contemporânea sobre o tema.

O paradoxo biológico da condição

Pesquisas recentes identificaram alterações ligadas à genética, imunidade, inflamação, função mitocondrial, metabolismo energético, conectividade cerebral e microbiota intestinal em diferentes grupos de pessoas autistas. Como essas variações mudam de um indivíduo para outro, a busca por uma única “assinatura biológica” do transtorno perde força diante da necessidade de investigar subgrupos específicos.

A medicina de precisão aponta que indivíduos classificados no mesmo nível de suporte terapêutico podem apresentar realidades biológicas totalmente distintas. Consequentemente, abordagens padronizadas, como a terapia ABA, trazem benefícios importantes, mas não funcionam como uma solução universal aplicável a todas as crianças de maneira idêntica.

Rumo a um cuidado individualizado

A ausência de uma causa única na genética e na neurobiologia reforça que diferentes origens orgânicas podem gerar o mesmo perfil clínico. Por essa razão, estratégias terapêuticas generalizadas tendem a apresentar resultados variados, exigindo avaliações mais completas que considerem a saúde global do paciente.

Para aprofundar essa investigação de forma racional, o médico pediatra Evandro Roberto Baldacci – CRM: 12782/SP | RQE: 64595 desenvolveu uma ferramenta específica: “Foi nesse contexto que criei o Mapa Biológico do Espectro Autista (MBEA), que não pretende substituir o DSM-5-TR nem ser um ‘exame de autismo’. Também não pretende criar um exame para definir, por si só, o diagnóstico ou o tratamento.”

Em última análise, o desafio consiste em aceitar que o cérebro atua integrado ao restante do organismo, exigindo que médicos e familiares compreendam as particularidades de cada trajetória de desenvolvimento.

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