A companhia japonesa Sanrio, dona da famosa personagem Hello Kitty, emitiu um pedido oficial de desculpas à China e cancelou uma colaboração com uma série de televisão do Japão. A decisão ocorreu após uma forte onda de críticas por parte de veículos de comunicação estatais chineses.
O motivo da controvérsia
O foco do atrito foi a exibição da série Vivant, que gerou incômodo diplomático ao mostrar uma organização associada à China praticando atos de tortura contra um membro do serviço secreto militar japonês. A sequência foi interpretada pela mídia governamental chinesa como uma grave ofensa ao país.
Fim da colaboração comercial
Como parte do acordo original entre a criadora da gatinha e a produção televisiva, estava previsto o lançamento de mercadorias licenciadas. Isso incluiria edições especiais da Hello Kitty e de outros ícones da marca japonesa.
Por meio de nota oficial, a Sanrio comunicou que recebeu diversos apontamentos de variados segmentos a respeito dos artigos planejados e pediu desculpas pelos transtornos gerados. A corporação destacou que a iniciativa apresentava pontos que divergiam de seus valores fundamentais, motivando o cancelamento imediato da aliança.
Repercussão da mídia estatal
Dias antes do recuo da empresa, o periódico governamental Global Times publicou que a série tinha o objetivo de “caluniar a China” e que o enredo gerou revolta nas plataformas digitais locais. O jornal ainda associou o conteúdo do programa ao conservadorismo do governo atual do Japão e ao crescimento de correntes direitistas no território japonês.
Precedente envolvendo Kylian Mbappé
O episódio acontece logo após um incidente diplomático e comercial envolvendo o atacante francês Kylian Mbappé e o Real Madrid. O atleta e o clube também precisaram se retratar publicamente na China em decorrência de um comentário do jogador sobre Mao Tsé-Tung, criador da República Popular da China.
Durante uma entrevista em vídeo, Mbappé comentou que achou engraçada uma montagem cômica que o comparava a Mao, a quem chamou de possível “ditador chinês”. O material se espalhou rapidamente na internet e gerou enorme rejeição entre o público chinês.
O impacto financeiro foi imediato, resultando no encerramento de contratos comerciais com três marcas do país asiático: a fabricante de energéticos Dongpeng e as marcas de laticínios Mengniu e Milkground. Além disso, o conglomerado China Media Group paralisou a exibição de jogos do Campeonato Espanhol e retirou campanhas publicitárias com a imagem do atleta, exigindo retratações formais.
O atleta compartilhou um pedido de retratação nos idiomas francês, mandarim e inglês, declarando que sua fala foi impensada e que compreendia ter ferido sentimentos de cidadãos chineses e de coletivos da comunidade pelo planeta. O clube espanhol e a própria liga de futebol também se manifestaram com pedidos de desculpas, enquanto a chancelaria da China declarou que avaliou com atenção a retratação do atleta.






