A Volkswagen contabilizou um prejuízo operacional de US$ 6,59 bilhões no terceiro trimestre de 2026, marcando o pior desempenho financeiro da montadora em mais de dez anos.
Impacto das contas e quedas nas vendas O balanço foi fortemente pressionado por despesas extraordinárias da ordem de US$ 8,9 bilhões, geradas primordialmente por uma baixa contábil na participação acionária da empresa na Porsche. Além disso, a receita de vendas da companhia recuou 6% no período, totalizando US$ 87,1 bilhões. Logo após a divulgação desses números, os papéis da marca apresentaram queda de 2% no mercado financeiro.
Desafios globais e o avanço asiático A gigante automotiva vem sofrendo com uma disputa intensa na China frente a marcas domésticas, somada aos impactos financeiros de tarifas comerciais. No continente europeu, os investimentos pesados na eletrificação da frota coincidem com a expansão agressiva de concorrentes chineses na região.
Reestruturação drástica e cortes de pessoal Frente a esse cenário adverso, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, estuda eliminar 100 mil postos de trabalho no conglomerado — que abrange divisões como Audi e Porsche —, enquanto até quatro plantas fabris na Alemanha estão ameaçadas de encerramento das atividades. O projeto de reestruturação já encontra forte resistência por parte dos sindicatos, que articulam paralisações a partir do começo de 2027.
Posicionamento da diretoria financeira Em pronunciamento gravado em vídeo, o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, enfatizou que o desempenho acumulado nos três primeiros trimestres evidencia a urgência de transformações profundas na organização.
“Não podemos nos dar ao luxo de perder tempo. Precisamos agir com rapidez e determinação”, disse.
O executivo pontuou ainda que a margem operacional obtida no período ficou em apenas 3,8%, desconsiderando os eventos extraordinários.
“Isso não é suficiente a longo prazo”, afirmou.
Já em setembro, a companhia havia indicado despesas extraordinárias na casa de US$ 11,2 bilhões e cortado a projeção de margem de lucro para o ano de 2026, estipulando um teto de 1%.






