O Teatro Amazonas, situado no Centro de Manaus, foi o cenário escolhido nesta quarta-feira (28) para a estreia da série documental Amazônia. Composta por três episódios de 26 minutos cada, a obra audiovisual retrata a rotina de comunidades locais que unem a preservação da vegetação nativa com práticas econômicas sustentáveis, além de debater os reflexos das alterações climáticas na maior floresta tropical do mundo.
Iniciativas sustentáveis na prática
Sob a condução do fotógrafo documental Luciano Candisani, a equipe de gravação visitou diferentes áreas da região para registrar o cultivo de cacau nativo, o extrativismo da castanha-do-brasil e o manejo do pirarucu. O projeto foi idealizado inicialmente para evidenciar a relevância da Amazônia durante a COP30, programada para 2025, conectando a proteção ambiental ao desenvolvimento econômico brasileiro.
Segundo Pedro Saad, representante da Produtora Brasileira, a proposta é mostrar que a preservação ambiental também depende das condições de vida das populações que vivem na região.
“A gente precisa preservar, mas também desenvolver. A gente só consegue preservar se eles estiverem gerando riqueza e conseguindo sobreviver em atividades sustentáveis”, afirmou.
Economia e saberes tradicionais
Os capítulos detalham como o conhecimento tradicional, somado à pesquisa científica e à assistência técnica, fortalece a bioeconomia. Enquanto um dos episódios foca nas etapas de manejo e seleção do cacau nativo para agregar valor comercial sem desmatar, outro retrata a queda na safra de castanha-do-brasil provocada por secas severas, demonstrando a vulnerabilidade das famílias extrativistas.
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a série exibe o manejo sustentável do pirarucu. A técnica une o saber dos pescadores locais a estudos científicos, utilizando a contagem visual para definir cotas de captura que garantem a conservação da espécie e a renda da comunidade.
Debate científico e distribuição
O documentário também conta com a participação de nomes de peso, a exemplo da coordenadora residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, Silvia Rucks, e do cientista Carlos Nobre. Eles discutem a autonomia das populações locais e os riscos associados ao ponto de não retorno da floresta diante do aquecimento global.
Para ampliar o alcance do material, a produtora adotará uma estratégia de doação de conteúdo.
“O nosso esforço é produzir e doador. Então, a gente doa para TVs abertas, fechadas, comunitárias, universitárias e também para escolas”, disse Pedro Saad.
Para o representante da produtora, o desafio é fazer com que os conteúdos sobre a Amazônia cheguem a diferentes públicos e sejam apresentados de forma acessível.
“Então, o desafio é: a informação tem que estar em todo lugar que a pessoa gostaria de consumir. E esse é o desafio do comunicador. Fazer chegar e fazer chegar de forma fácil”, afirmou.
Parceria com o setor industrial
Financiada por incentivos da Lei do Audiovisual com aval da Ancine e patrocínio da Yamaha, a obra busca estreitar os laços entre o parque fabril e a conservação da natureza.
O gerente de relações institucionais da Yamaha, Rafael Lourenço, defendeu que a preservação e a atividade fabril caminham juntas.
“A melhor maneira de cuidar da floresta é cuidando de quem vive na floresta”, declarou.
Lourenço também citou a Zona Franca de Manaus como uma alternativa econômica para a população e defendeu a complementaridade entre a atividade industrial e a bioeconomia.
“A produção industrial, a atividade industrial, ela não conflita com os saberes tradicionais, com a bioeconomia. Na verdade, é tudo complementar, e é isso que a gente tenta mostrar no documentário”, afirmou.
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) também integrou a realização do evento de lançamento. Para o presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, a iniciativa ajuda a desmistificar a atuação industrial na região perante o restante do país.
“Eu digo que o Brasil não conhece o Brasil. É necessário, e o Centro da Indústria faz isso regularmente”, declarou.
A noite de estreia no principal cartão-postal de Manaus foi encerrada com a exibição de um dos episódios e uma apresentação cultural do Grupo Gaponga, que levou poesia, composições autorais e bioinstrumentos para celebrar a identidade artística da Amazônia.






