O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou nesta 4ª feira (28.out.2026) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisou deixar o território nacional e se “exilar” em solo norte-americano com o objetivo de resguardar sua liberdade e fugir de uma possível prisão. Coordenador da campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Marinho declarou que o parlamentar não possuía condições de permanecer no Brasil depois de oficializar sua candidatura ao comando do Executivo federal.
Declarações no Senado
Durante conversa com jornalistas na capital federal, o representante do Rio Grande do Norte pontuou a situação jurídica enfrentada pelo colega de partido, embora tenha admitido que não havia nenhuma ordem de prisão decretada contra o candidato derrotado.
“Politicamente, he não tem condições de continuar no Brasil sob pena de ser preso pelo simples fato de ter ousado ser candidato”, declarou Marinho.
Cronologia da viagem
A saída do país ocorreu após Flávio ignorar uma determinação da Polícia Federal para entregar seus passaportes em um intervalo de 24 horas. A ordem havia sido emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Na 3ª feira (27.out), o senador embarcou rumo à Flórida, no sudeste dos Estados Unidos, na companhia da esposa e das duas filhas adolescentes, desembarcando no destino na manhã desta 4ª feira (28.out).
O pedido de apreensão dos documentos de viagem foi protocolado pela Polícia Federal apenas 7 minutos após o Tribunal Superior Eleitoral divulgar o resultado definitivo do pleito presidencial, às 21h09 de 25 de outubro de 2026. A disputa foi vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio alcançou 59.826.041 votos (48,21%). O ministro do STF prontamente avalizou a medida e impôs a proibição de saída do país.
Investigação e o status de exilado
O parlamentar potiguar questionou os fundamentos apresentados no inquérito e apontou que os indícios citados fazem referência a apurações da PF sobre o advogado Willer Tomaz. Os investigadores localizaram registros de e-mail indicando que o candidato presidencial figurava como “usuário master” de uma conta vinculada à empresa Alcazar Holdings, gerida por Tomaz, dados descobertos após a quebra do sigilo telemático do advogado.
Diante do cenário, Marinho reforçou a tese de que a família partiu por se sentir acuada por potenciais decisões do Judiciário e definiu o episódio como um “exílio político”.
“Nessa eleição e nas eleições subsequentes, o Flávio só tem esse caminho. A ele não restou outra opção para manter a sua integridade física, a sua liberdade e a sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado, se não sair, se exilar do país”, afirmou.
Cenário político e legislativo
Enquanto o senador está nos Estados Unidos, outros parentes mantêm mandatos no Congresso Nacional. Foram eleitos seus irmãos Carlos Bolsonaro (PL-SC) para o Senado e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) para a Câmara, além de sua madrasta Michelle Bolsonaro (PL-DF) como senadora. O Partido Liberal assegurou as maiores bancadas tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados para a legislatura de 2027.
Em paralelo, Marinho avalia sua eventual candidatura à presidência do Senado, tema que será debatido em encontro marcado pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, para a próxima 4ª feira (4.nov). O senador destacou que, se o nome for oficializado, sua plataforma priorizará a harmonia e a independência entre os Poderes, além do respeito integral à Constituição diante de crises institucionais e conflitos de prerrogativas.






