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Fed mantém juros dos EUA entre 3,75% e 4% ao ano antes de eleições

Fed mantém juros dos EUA na faixa de 3,75% a 4% ao ano a poucos dias das eleições para o Congresso

O Federal Reserve decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos estacionada na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A medida anunciada nesta quarta-feira (28) atendeu plenamente às projeções do mercado financeiro e acontece a poucos dias das eleições de meio de mandato, agendadas para o próximo dia 3 de novembro, que definirão o equilíbrio de forças no Congresso americano.

Contexto político e eleições

O pleito legislativo ocorre sob forte desgaste do governo, impulsionado pela insatisfação da população com a economia e com a alta dos preços. Pesquisas recentes indicam que 32% aprovam a gestão de Donald Trump, enquanto 73% avaliam que o custo de vida segue na direção equivocada. A inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) alcançou 3,7% em 12 meses até setembro, superando com folga a meta de 2% estipulada pelo banco central.

Em nota oficial, o Comitê Federal de Mercado Aberto apontou que a atividade econômica estadunidense continua se expandindo de maneira vigorosa e que “os gastos domésticos têm se mostrado resilientes”, embora o cenário siga cercado de instabilidade “em parte, devido a acontecimentos geopolíticos”. A autoridade monetária destacou ainda que a condução da política de juros obedece ao seu mandato duplo, focado em estabilizar a inflação e assegurar o nível máximo de empregos.

Gestão no banco central

Esta foi a 15ª deliberação desde que Donald Trump assumiu o cargo de 47º presidente dos Estados Unidos em 20 de janeiro de 2025. O período foi marcado por quatro cortes de juros, seguidos por uma retomada de alta em setembro diante de conflitos internacionais — como o embate entre Estados Unidos e Irã — e da política tarifária do Executivo.

Trata-se também da quarta reunião conduzida sob a liderança de Kevin Warsh, escolhido pelo republicano para chefiar a instituição após um histórico de atritos entre o presidente e o ex-presidente do Fed, Jerome Powell. Trump tem defendido repetidamente a redução das taxas para evitar danos ao crédito e à economia nacional.

Impactos na economia brasileira

A manutenção dos juros em patamares elevados no mercado norte-americano gera repercussões diretas para o Brasil. Com os títulos públicos conhecidos como Treasuries oferecendo rentabilidade maior e maior segurança, o capital estrangeiro tende a migrar para os Estados Unidos, o que fortalece a moeda americana e pressiona a cotação do dólar.

Esse cenário reduz o fluxo de investimentos externos voltados ao território brasileiro e desvaloriza o real. Como consequência, a alta da moeda norte-americana alimenta pressões inflacionárias internas, influenciando o Banco Central do Brasil a manter a taxa Selic em patamares elevados por um período mais prolongado.

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